Queensryche: por que Tate cuspiu nos companheiros de banda?
Por Durr Campos
Fonte: Blabbermouth
Postado em 03 de setembro de 2012
O ex-vocalista do QUEENSRŸCHE Geoff Tate participou recentemente do programa de TV da VH1 Classic "That Metal Show".
Questionado sobre as circunstância que o levaram a se separar de seus ex-companheiros de banda após quase 30 anos de trabalho juntos, Tate disse, "Bem, na verdade, isso é meio complicado de explicar, pois não posso falar por eles, mas apenas especular. Isso meio que aconteceu do nada pra mim. Nunca tivemos problemas sobre diferenças musicais, ou quaisquer outras situações embaraçosas entre os membros. Apenas aconteceu. E só posso especular que estamos realmente em uma delicada recessão mundial, e eu penso que em situações como esta as pessoas acabam tendo atitudes estranhas. Isso é tudo o que eu posso falar, uma questão financeira. Nós temos uma empresa juntos e agora que eles me tiraram da jogada podem dividir entre eles meus 25%".
Quando um dos apresentadores do programa, Jim Florentine, comentou que provavelmente o QUEENSRŸCHE não irá vender tantos ingressos sem Tate, Geoff concordou, dizendo, "Eu sei e isso não faz o menor sentido."
De acordo com Tate, a ele nunca foi dada a notícia de que seus dias na banda estavam contados e sua demissão o pegou de surpresa. "Foi de fato de uma hora para outra", explica. "E eu te digo uma coisa, é algo que eu não lidei nem entrei em acordo ainda, eu sou do tipo emocional. Estamos falando de cerca de 30 anos de irmandade, pessoas que viveram juntas, todas as nossas decisões foram decididas coletivamente, nossos filhos cresceram juntos, acampamos juntos e até feriados de 4 de Julho [nota do tradutor: Data em que os norte-americanos comemoram sua independência do Reino Unido] passamos uns na companhia dos outros. Por isso é chocante ver tudo assim acabar. Eu amava aqueles caras, e considero algo assim uma traição imensa."
Em relação às afirmações feitas por seus antigos companheiros de banda, acusando-o de agredir, e cuspir no baterista Scott Rockenfield e Michael Wilton, guitarrista, antes e durante a apresentação do QUEENSRŸCHE em 14 de abril deste ano em São Paulo, Geoff não negou as alegações, dizendo ao apresentador do "That Metal Show", Eddie Trunk, "Sim, eu fiz isso. Não vou negar nem tentar me safar com desculpas esfarrapadas." Ele continuou: "Logo antes do show, fizemos uma rápida reunião no camarim e disseram-me que minha esposa, que por 10 anos era nossa empresária, e minha filha, que tem sido a presidente do fã-clube oficial, além de resolver um monte de problemas burocráticos para o QUEENSRŸCHE, bem como meu genro, que até então era o nosso técnico de guitarra, estavam sendo desligados e eu seria o próximo... pô, daí eu perdi minha cabeça e fui com tudo neles. Estou feliz que alguém me parou, porque eu olho para trás com pesar sobre o que eu poderia ter causado e isso me faria sentir a pior pessoa do mundo. Definitivamente não é algo de que eu me orgulho."
Ele acrescentou, "sobre o lance da cuspida... sei que um monte de gente está me crucificando por isso, mas historicamente falando cuspir em alguém que diz coisas como as que ouvi seria a forma mais extrema de se dizer 'vá se foder' à tudo isso e foi exatamente o que quis passar."
Perguntando se pretende ir à Justiça para manter o nome QUEENSRŸCHE para si, Tate retrucou, "trata-se de algo em que trabalhei toda a minha vida e creio sim que seja meu o direito." Ele continuou, "no momento ambos temos direito sobre o nome. O juiz (nota do tradutor: o qual negou a Geoff sua apelação em proibir seus ex-colegas de saírem em turnê e trabalharem sob o nome QUEENSRŸCHE.) disse algo bem interessante. Meu advogado queria dizer, 'veja, ninguém deveria usar o nome até o julgamento.' Daí o juiz diz, 'Não vejo diferença alguma entre o QUEENSRŸCHE e os FOUR TOPS. Dá na mesma.' Os FOUR TOPS (risos). Enfim, há dois QUEENSRŸCHEs agora, ou pelo menos é o que parece."
Especificamente sobre as acusações dos outros membros de que ele vinha controlando o direcionamento musical nas duas últimas décadas, Tate disse, "Bem, não sei como eu poderia fazer isso. Tenho apenas um voto. Fizemos tudo na base da votação. 'Creio que deveríamos fazer isso assim, ou daquela outra fomra...' Isso é o que fazíamos, então seria impossível eu ter o poder ditatorial."
Quando o outro apresentador do "That Metal Show", Don Jamieson, trouxe à tona o fato de que o mais recente disco do QUEENSRŸCHE, "Dedicated To Chaos", lançado em 2011, ter se distanciado tanto do som clássico do grupo, Geoff comentou, "seria uma redefinição do que o metal deveria ser? Muito obrigado. Isso é exatamente o que sempre tentamos fazer - sempre trabalhamos para não soar como as pessoas queiram que soássemos. Sempre tentamos forjar nosso próprio caminho, e como as pessoas vão entender isso, nunca se sabe. Você apenas precisa escrever o que seu coração manda, saca?!"
Perguntado sobre como acha que será o processo judicial entre ele e seus antigos colegas de trabalho, Tate afirma que "gostaria de sentar em uma sala com todos aqueles cavalheiros e deixar que falem exatamente o que está acontecendo. Que expliquem seus atos. Eu gostaria de saber, e também entender, o ponto de vista deles. Eu gostaria de vê-los falar na minha cara e não pela Internet... comunicação é algo muito importante em uma relação, precisa haver isso de toda forma. E se ninguém fala, daí nada se ajeita. E é neste exato ponto em que estamos - ninguém quer falar."
Tate ainda revelou que irá abrir os shows de ALICE COOPER em sua turnê canadense em novembro, e irá cair na estrada no que chama de Turnê de Aniversário do QUEENSRŸCHE em 2013, acompanhado com "um time de estrelas".
Quensryche x Geoff Tate
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