Legião Urbana: Tributo deflagra crise na crítica musical
Por Daniel Junior
Fonte: Pipoca TV
Postado em 31 de maio de 2012
Apenas os críticos esperavam que o ator fosse cantor, nos dois shows de tributo à banda de Brasília.
A crítica musical no Brasil é extremamente rancorosa, porque parte das suas traduções e interpretações sobre música, passam por suas impressões pessoais, ligadas à simpatia, à conveniência e lógico, pela total falta de conhecimento e sensibilidade para falar de arte.
Mesmo aqueles que manjam do assunto, são empregados ferrenhos da máquina chamada "obrigação de falar de quem quer que seja da pior maneira possível", manipulando com "palavras duras em voz de veludo" parte dos seus leitores, que passam a pensar através do texto que acabaram de ler. Como bem sabemos, tem gente que não compra disco através da opinião alheia, tem gente que não vai ao cinema por conta do 'bonequinho' (aplaudindo, sentado ou dormindo), tem gente que liga ao extremo para as poucas palavras de um texto que só tem uma verdade: é isso o que eu penso.
Legião Urbana - Mais Novidades
A forma gratuíta e barata com que Wagner Moura está sendo criticado por seu desempenho no Tributo à Legião Urbana (Mtv) nos dois dias de apresentação, passa pela total ignorância e ausência de sentido dos seus escribas.
Para não tomar o tempo do leitor, nem discuto conceito musical. Os livros estão aí, os vídeos e todos os recursos possíveis para um curioso entender e apreender se quiser, mas, classificar com a expectativa de uma opereta a performance de um ATOR (assim, em letras garrafais), é uma tolice mascarada de ciência.
Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá escolheram Wagner por sua paixão e não por seu dom. Ambos possuem amigos mais talentosos que Moura, que seriam capazes de fazer das duas noites momentos históricos de lirismo e técnica. A ideia, desde o início não foi esta. O que se viu no pequeno palco era um fã apaixonado (como qualquer fã da Legião Urbana) vociferando e dividindo com o público as letras que um dia ele julgou ser de uma pessoa e que naquele momento eram deles e de uma multidão.
São bárbaros os que pensavam que da boca de Wagner Moura saíriam versos nas escalas modais com a mesma grandiloquencia que o finado vocalista possuía. Não era no papel de cover que Wagner estava ali. Ele representava toda uma geração que, em seus "luais da vida", pegavam o violão e sentavam para cantar com os amigos, sem que se preocupassem se o que estavam cantando emotivamente, agradava, irritava ou destoava, do que se fez no disco, no show ou em qualquer lugar que a Legião Urbana tenha pisado.
Em boa parte do espetáculo Wagner semitonou muito. Sim, sua atuação foi de média para ruim e ninguém pode negar. Especialmente as primeiras canções deixaram no ar que a noite poderia ser pior se o ator esquecesse de vez, que além da emoção, há uma escala, tempos, respiração, brilho, volume, altura e etc...
Por que a mesma crítica musical que BUNDOU um ator que cantava, não escracha cantores que profissionais (ou seja, vivem disso), não conseguem cantar além de um só tom, como tantos na música popular brasileira? Aliás, existem excelentes compositores no Brasil, que são PÉSSIMOS intérpretes, mas a força de não remar contra a maré ou mesmo a ética por conveniência, não deixa que eles pisem em cantores medíocres mas que cristalizaram a fama em torno de uma carreira à base do passado.
Existe também, nas críticas exageradas, uma boa parcela de ódio pela banda e seus músicos. O que torna toda a análise inverossímil e tola. Não gostar, admirar, idolatrar, reverenciar ou fazer uso de qualquer outro verbo que demonstre paixão é um direito legítimo e muito mais repleto de verdade, do que usar um momento peculiar e especial para criticar toda a história da banda. O que se leu e se viu foi um total oportunismo, quem já não gostava, aproveitou para jogar a última pá de cal.
Qualquer texto não deveria transformar seus autores em celebridade. É um pensamento compartilhado, uma análise arguta de um fato ou sentimento movido em palavras. Este resultado, torna escribas do século XXI, deuses de si mesmo, gente que ignora momentos mais febris de paixão de um público para ligar sua metralhadora de bobagens e pseudo-indultos.
Nunca ganhei um TOSTÃO para dar minha opinião, por isso, não esquento sobre o que pensam a respeito do meu pensamento. Só os compartilho para defender um ponto de vista, ler e ouvir outros e sobretudo, manter viva a ideia de que não existe uma verdade absoluta sobre nada ou qualquer coisa.
twitter: @dcostajunior
twitter: @pipoca_tv
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
200 shows internacionais de rock e metal confirmados no Brasil em 2026
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
A banda em que membros do Iron Maiden e Dio disputaram para entrar e só um conseguiu
Vídeo dos Mutantes tocando Beatles em 1969 é encontrado
Rob Halford, o Metal God, celebra 40 anos de sobriedade
Os 5 álbuns de rock que todo mundo deve ouvir pelo menos uma vez, segundo Lobão
A banda mais influente do rock progressivo, de acordo com Geddy Lee
"Até quando esse cara vai aguentar?" O veterano que até hoje impressiona James Hetfield
O disco de thrash metal gravado por banda brasileira que mexeu com a cabeça de Regis Tadeu
Você provavelmente nunca os ouviu - mas esses guitarristas dos anos 1980 eram absurdos
As músicas do Pink Floyd que David Gilmour diz que não vai mais tocar ao vivo
O gênero musical que faz sucesso com as massas mas é "satânico", segundo Billy Corgan
O gênero musical cujo nome não faz sentido algum, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth

A "canção romântica" dos Titãs que era a preferida de Renato Russo
As 5 melhores bandas de rock de Brasília de todos os tempos, segundo Sérgio Martins
O hit da Legião Urbana em que Renato Russo usa a Bíblia para falar de relação gay
6 artistas que regravaram músicas que escreveram, mas originalmente foram registradas por outros
Rogério Flausino conta como a morte de Renato Russo afetou a carreira do Jota Quest
Avenged Sevenfold: desmistificando o ódio pela banda
Hard Rock e Heavy Metal: o bicho de duas cabeças


