Rock e Repressão
Por Alexandre Saggiorato
Postado em 15 de junho de 2009
Primeiramente é valido ressaltar que entre o surgimento do rock no Brasil ainda nos anos 50, passando pela explosão da Jovem Guarda de ROBERTO e ERASMO nos anos 60, e o popular rock Br dos anos 80, existem grandes grupos de extrema importância para a solidificação do rock no Brasil, mas que por certo "descaso" por parte da grande mídia, os grupos (com raras exceções), acabam sendo esquecidos quando falamos da evolução do rock no país.
Infelizmente, por compor rock em plena ditadura, e também, obviamente, por ser pouco documentado (comparado com nível de informação que temos ao nosso dispor hoje em dia), o rock brasileiro da década de 70 foi marcado por grandes bandas, hoje na espera de serem redescobertas. Dentre esses grupos podemos citar além dos afamados MUTANTES, SECOS & MOLHADOS, NOVOS BAIANOS e RAUL SEIXAS, bandas menos conhecidas para o grande público como RECORDANDO O VALE DAS MAÇÃS, MÓDULO 1000, SOM NOSSO DE CADA DIA, AVE SANGRIA, A BOLHA, TUTTI-FRUTTI, ALMÔNDEGAS, SÁ, RODRIX E GUARABIRA, entre outros.
Essa dura tarefa de compor rock, um gênero de música considerado transgressor ao longo da história, foi sentida de certa forma aqui no Brasil durante a década de 70. Nesse período, o país vivenciava a repressão e censura, ocasionadas pela ditadura militar e a busca pela tão sonhada liberdade de expressão era colocada de forma oculta em várias canções do período.
Da mesma forma que músicos da chamada "música de protesto" como CHICO BUARQUE, EDU LOBO e GERALDO VANDRÉ, ou um pouco depois, no movimento Tropicalista através dos músicos CAETANO VELOSO e GILBERTO GIL, os roqueiros vivenciavam a censura e repressão que era extremamente dura devido ao Ato institucional Nº 5, o qual entre outras coisas, impossibilitava a livre expressão na produção artística, fosse a qualquer música ou artista que se mostrasse ofensivo aos ideais militares, não importando o gênero musical.
Os roqueiros cabeludos, com suas guitarras nas mãos e figurino nada convencional, traziam aos olhos dos militares aspectos subversivos, e obviamente, havia um desencontro com as idéias do governo ditador. Vários músicos foram presos no período e a impossibilidade de apresentações artísticas ou a proibição de músicas para tocar em shows, programas de rádio ou de TV eram freqüentes.
RAUL SEIXAS pregando a sociedade alternativa, RITA LEE valorizando a emancipação feminina, além da proposta andrógina dos SECOS & MOLHADOS, eram considerados atos extremamente graves para a moral e bons costumes do país, e por isso sofriam a censura dos militares.
Um grande grupo do período a tentar se manter literalmente vivo no cenário musical brasileiro, foi A BARCA DO SOL. O grupo ao longo dos anos teve como integrantes: Nando Carneiro (violão, guitarra e vocal), Muri Costa (violão e vocal), Beto Rezende (violão e percussão), Alan Pierre (baixo e percussão), Jacques Morelembaum (violoncelo), Ritchie (flauta) e David Game (flauta).
Possuindo integrantes com ampla experiência musical, a CASA DAS MÁQUINAS, outra importante banda, iniciou suas atividades em 1972, e mesmo com apenas três discos de estúdio e um ao vivo, demonstrou forte influência na "geração setentista".
Outra banda importante no período é O TERÇO. Iniciada ainda no final dos anos 60 originou-se basicamente de três grupos: o JOINT STOCK CO., HOT DOGS e OS LIBERTOS por onde iniciaram Jorge Amiden, Vinícius Cantuária e Sérgio Hinds, além de Cezar de Mercês e Sérgio Magrão que viriam a fazer parte da banda anos depois. O grupo passou por diversas mudanças ao longo dos anos e chegou a contar com a presença do importante tecladista Flávio Venturini, isso, antes de dar origem no final da década, ao grupo 14 BIS.
Essas bandas escreveram diversas canções retratando o período conturbado e de extrema falta de liberdade do povo brasileiro. Músicas como "Mundo de Paz" e "Vou Morar no Ar" da CASA DAS MÁQUINAS, além de "Corsário Satã" da BARCA DO SOL e "Casa encantada" do TERÇO, por exemplo, são músicas marcantes que relatam o período através de metáforas, sobre o medo, a busca pela paz, pelo amor ou de viver à margem do sistema imposto pelos militares.
Vale a pena conferir.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confira os vencedores do Grammy 2026 nas categorias ligadas ao rock e metal
O rockstar dos anos 1980 que James Hetfield odeia: "Falso e pretensioso, pose de astro"
Novo disco do Megadeth alcança o topo das paradas da Billboard
Veja Andreas Kisser de sandália e camiseta tocando na Avenida Paulista de SP
Polêmica banda alemã compara seu membro com Eloy Casagrande
Produtor descreve "inferno" que viveu ao trabalhar com os Rolling Stones
As bandas "pesadas" dos anos 80 que James Hetfield não suportava ouvir
A humildade de Regis Tadeu ao explicar seu maior mérito na formação da banda Ira!
Mike Portnoy admite não conseguir executar algumas técnicas de Mike Mangini
Os 5 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Nick Mason do Pink Floyd
As 40 melhores músicas lançadas em 1986, segundo o Ultimate Classic Rock
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
Richie Sambora acusa Jon Bon Jovi de sabotar sua carreira solo para forçá-lo a voltar
Os três personagens de uma canção de Dio: "um rapaz jovem gay, uma garota abusada e eu"
As três músicas que definem o Black Sabbath, de acordo com Tony Iommi
A música de Ozzy Osbourne que Rob Trujillo considera uma das mais completas do Metal

Será que todo fã é um idiota? Quando a crítica ignora quem sustenta a música
Desmistificando algumas "verdades absolutas" sobre o Dream Theater - que não são tão verdadeiras
A farsa da falta de público: por que a indústria musical insiste em abandonar o Nordeste
A nostalgia está à venda… mas quem está comprando? Muita gente, ao menos no Brasil
Afinal o rock morreu?
Será mesmo que Max Cavalera está "patinando no Roots"?
Lojas de Discos: a desgraça e o calvário de se trabalhar em uma
Avenged Sevenfold: desmistificando o ódio pela banda



