Mundo do rock sofre conseqüências de atentados terroristas

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Por Thiago Sarkis
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As imagens dos atentados terroristas, que pararam o mundo na terça-feira, 11 de setembro de 2001, irão ecoar por muito tempo na história da humanidade. Provavelmente, pelo resto de nossos dias. Todos esperam pelas conseqüências, mas ninguém realmente sabe onde e como se refletirão os absurdos cometidos, na mais clara concretização de perda / inversão de valores, e total depreciação da figura humana, em nossa Era.

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Você deve estar se perguntando "por que o Whiplash! está falando disso?". É bem simples. As coisas mudam a partir de momentos trágicos como os assistidos nos Estados Unidos. Todos os aspectos referentes ao ser humano se abalam e tendem a passar por uma reestruturação. Dentro disso, temos as artes, a música, e mais especificamente, já enquadrando o problema em uma perspectiva "Whiplasher", o rock, o metal, o blues, e por aí vai.

Apesar de toda a tristeza diante do desastre das relações humanas, as primeiras notícias dão um pouco de tranqüilidade aos fanáticos por rock. Diversos músicos que residem em Nova Iorque já deram sinal de vida e avisaram estar bem. Por enquanto não há nenhum indício de que algum artista tenha sofrido diretamente em seu corpo, ou em sua família, com os atentados que atingiram Nova Iorque e Washington. Porém, estamos atentos e qualquer informação estará sendo passada nas novidades do site.

No entanto, diversos shows e eventos relacionados à música foram cancelados, devido ao desastre. Além disso, dois sustos, em coincidências incríveis, deixaram fãs e músicos de cabelo em pé.

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A primeira se refere a John McLaughlin, mas os admiradores do guitarristas podem ficar calmos, pois está tudo bem com ele. Na manhã do dia 12 de setembro, quarta-feira, os bombeiros, em busca de sobreviventes nos escombros, encontraram John McLaughlin, um POLICIAL, com duas pernas quebradas, mas ainda vivo. Obviamente a notícia não repercutiu bem e a ausência de informações agravou a certeza de que aquele seria o líder da Mahavishnu Orchestra, companheiro de figuras como Stanley Clarke, Al Di Meola, Paco de Lucía e David Bowie. Para nossa felicidade, não era ele, e o policial, mais uma vítima de seres humanos como ele próprio, está bem e encontra-se em estado estável, sem correr risco de vida.

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A coisa ficou mais feia para o lado do Dream Theater. Seus músicos estão bem e nem estavam perto do local dos desabamentos. Todavia, as gravações do próximo álbum de estúdio, que se realizavam em Nova Iorque, foram interrompidas e a banda teve que dar atenção às modificações de alguns detalhes de seu álbum ao vivo. Obviamente sem culpa, mas passando por um dos momentos mais constragedores de sua carreira, o grupo se vê prestes a mudar a capa de seu trabalho, gravado em Nova Iorque, em 2001.

Em uma inacreditável coincidência, o disco "Live Scenes From New York", tinha lançamento programado para o dia 11 de setembro de 2001, data da tragédia, e chegou a ser colocado nas prateleiras de algumas lojas e enviado a alguns fãs que fizeram pedidos prévios pela Internet. A coisa não para por aí. Foi ainda com mais perplexidade, que os admiradores do Dream Theater, relacionaram a capa do álbum ao vivo, com as imagens do terrorismo nos Estados Unidos.

Como você pode conferir ao lado, "Live Scenes From New York", mostra algumas imagens dos integrantes, e contém em seu centro, uma maçã, representando a "Big Apple", uma das mais famosas referências feitas à Nova Iorque. A fruta, enroscada em arames farpados, está em chamas, e substitui o coração, que na mesma situação, foi colocado no álbum "Images & Words" e virou um símbolo da banda. No meio do fogo, estão alguns símbolos da mais movimentada cidade do planeta, incluindo a Estátua da Liberdade e, pasmem, as Torres gêmeas do World Trade Center, que vieram a desabar em 11 de setembro de 2001, data da tragédia e também do lançamento do álbum.

A Elektra, gravadora do grupo, e os integrantes do Dream Theater, atônitos com o fato, deram início às conversações sobre uma provável alteração na capa do disco, e decidiram tirar "Live Scenes From New York" das prateleiras, pelo menos até que se resolva se haverá mesmo a mudança. A ordem foi aceita por alguns vendedores, como a CDNow - http://www.cdnow.com -, que não mais disponibiliza o CD em seu site. Já a CDUniverse - http://www.cduniverse.com - ainda possui cópias e não parece muito disposta a se desfazer delas.

Caso gravadora e conjunto decidam mudar a capa do álbum ao vivo, aqueles que já o compraram ou receberam com antecipação, terão um item de colecionador em suas mãos, e uma lembrança de um dos momentos mais lamentáveis da humanidade, retratada em um trabalho de seus ídolos.

É com toda a tristeza que vemos coisas como essa acontecerem e o máximo que podemos oferecer são nossas condolências. Não era para acontecer e não devia ter chegado a esse ponto, mas já que estamos aqui, que isso tudo sirva de lição. Não apenas para irmos além de nossos limites e montarmos sistemas de segurança monstruosos, como também, e principalmente, para crescermos como humanos, reavaliando nossos valores e exercendo um controle sobre tolices como indiferença e prepotência.




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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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