Rush lança DVD antológico de seu show no Rio
Fonte: Terra Música
Postado em 11 de dezembro de 2003
Por Raphael Crespo (JB Online)
Os cariocas fãs do Rush podem se sentir privilegiados. Especialmente as mais de 40 mil pessoas que presenciaram a apresentação do grupo no Maracanã, na nublada noite de 23 de novembro de 2002. Acabaram como coadjuvantes de um momento de destaque na carreira da banda, que lança agora, em CD triplo e DVD duplo, o registro da noite: Rush in Rio, exibe cenas da turnê que também passou por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, divulgando o disco Vapor Trails.
A nova empreitada quebra uma tradição do Rush. Desde o lançamento de seu primeiro disco, em 1974, a banda canadense vinha seguindo uma seqüência de quatro registros de estúdio e um ao vivo. Vapor Trails foi o primeiro do quinto ciclo, que acabou interrompido com o registro do show no Maracanã.
Uma mudança que não chega a surpreender numa banda que viveu momentos de turbulência nos últimos seis anos. Após o fim da turnê de Test for Echo, o baterista Neil Peart, cérebro do Rush, perdeu a filha Selena, de 19 anos, num acidente de carro. Um ano depois, ele viveu uma nova tragédia, com a morte da sua mulher Jacqueline Taylor, vítima de câncer.
No DVD, o primeiro disco mostra o show, tecnicamente perfeito, com a famosa mistura de rock progressivo com hard rock e toques de heavy metal. Há apenas duas músicas a menos em relação ao set list original (Between Sun and Moon e Vital Signs) que, no entanto, aparecem no CD.
Mas o grande destaque do pacote é mesmo o segundo disco do DVD, que conta com as músicas YYZ, La Villa Strangiato e O baterista na opção multi-ângulo (o espectador pode escolher o ângulo pelo qual deseja assistir a cena), além do documentário The Boys in Brazil.
No filme, descobre-se que o guitarrista Alex Lifeson não passaria fome se tivesse optado por uma carreira no humorismo. Outra passagem impressionante é o aquecimento de Peart antes do show. Num quartinho, com uma bateria simples, de oito peças, tocando de olhos fechados, ele prova que não precisa estar cercado por um set monstruoso, como o usado no show, para ser o melhor do mundo.
O CD
Os álbuns ao vivo constituem capítulos importantes na carreira do Rush e sempre foram lançados de uma forma sistemática. Ao longo de seus mais de 30 anos de história, o trio canadense vinha seguindo uma seqüência de quatro registros de estúdio e um ao vivo, tendo repetido o mesmo ciclo quatro vezes. Após o CD triplo ao vivo Different Stages (de 1998), a banda lançou, no ano passado, seu 17º álbum de inéditas, Vapor Trails, como sendo o primeiro do quinto ciclo, e depois saiu em turnê.
Na noite de 23 de novembro de 2002, um acontecimento levou a banda a quebrar a tradição dos ciclos. Após a planejada gravação de um DVD do último show da turnê de Vapor Trails, no Maracanã, diante de um público de mais de 40 mil fanáticos brasileiros, o trio decidiu, ao ouvir o áudio, que o registro merecia ser lançado também em CD. Surgiu, então, o pacote Rush in Rio, com CD triplo e DVD duplo.
O DVD é a grande vedete do pacote, principalmente por causa do documentário The Boys in Brazil. O CD é pura e simplesmente um registro, sem o fantástico recurso do vídeo, mas também tem todo o valor do mundo, pois trata-se de um show de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, formada por três músicos excelentes, que estão sempre em busca da perfeição no palco.
O repertório do show no Maracanã passeou por todos os ciclos e fases do Rush, com músicas desde seu primeiro álbum, auto-intitulado, até o mais recente Vapor Trails. Muitos clássicos, como Subdivisions, Red Barchetta e Fly by Night, acabaram ficando de fora, mesmo num repertório de três horas de duração. Mas, outros hits foram incluídos no set list, como a inesquecível Tom Sawyer (para muitos, não os fãs, a música do seriado Profissão Perigo (McGyver)), logo na abertura, Closer To The Heart, Limelight, YYZ e The Spirit of Radio.
No show de um ano atrás, no Rio, houve uma divisão em dois atos, com mais um bis. O mesmo acontece no CD triplo, com cada ato ficando em um disco, sendo que o bis, no terceiro disco, ainda conta com duas músicas que estiveram no set list do show na cidade, mas que não entraram na gravação do DVD. Foram usadas duas versões "piratas oficiais" para Between Sun and Moon, gravada em Phoenix (EUA) e Vital Signs, em Quebec (Canadá).
Entre os destaques do show estão, além dos grandes clássicos, a seqüência com a bela Leave That Thing Alone (instrumental do álbum Counterparts, de 1993), O Baterista (solo de 10 minutos de Neil Peart, sem dúvida o maior baterista do mundo), e Resist, em que o baixista-tecladista-vocalista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson, munidos de violões, fazem uma versão acústica para a balada do álbum Test for Echo (1996).
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