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Rachel Bolan: "nós despedimos Sebastian Bach"

Por Marco Néo
Fonte: KNAC.com
Postado em 17 de maio de 2007

O site KNAC.com entrevistou em 2007 o baixista e co-fundador do SKID ROW, Rachel Bolan. Na entrevista o baixista compara a época dos grandes hits e a nova fase do Skid Row.

KNAC.COM: O que você tinha em mente para que "Revolutions Per Minute" fosse diferente dos outros álbuns do Skid Row, para que a banda não soasse nostálgica?

BOLAN: "A única coisa que nós acertamos foi que não haveria baladas. Nós somos famosos por nossas baladas. Não foi um caso de deixar essa parte de lado, foi mais uma coisa de nós querermos fazer um álbum que tivesse um pouco mais de pegada, e um estilo um pouco diferente. A gente queria fazer algo inesperado. Fomos adiante e colocamos um sentimento mais punk nas coisas. Seguimos várias direções diferentes, a música 'You Lie', por exemplo, é quase uma música hardcore country. Queríamos correr riscos dessa vez. Nós nunca fizemos um álbum assim antes. Nós não queríamos perder tempo nos concentrando demais em um só estilo. Nós só entramos em uma sala, compusemos as músicas e o que ficasse bom entraria no álbum. Essa foi a nossa filosofia".

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KNAC.COM: Quando o Skid Row apareceu na cena, em 1989, vocês tinham algo a dizer, e nunca tiveram receio de se pronunciar. Mas muita gente considerou vocês uma banda de hair metal. Você acha que o Skid Row foi empurrado para essa categoria? Eu acho que vocês sempre foram muito mais do que isso, você não concorda?

KNAC.COM: "Sim, também acho. As pessoas ainda nos chamam de banda de hair metal dos anos 80, quer dizer, nosso primeiro álbum saiu em 1989. Nós realmente fizemos sucesso nos anos 90. Nós somos muito mais do que uma banda de hair metal, mas eu não me importo com o que os outros acham, desde que gostem da nossa música. Quer dizer, a mensagem mudou com o passar dos anos porque a gente viu muito mais coisas. Nós estamos mais velhos, não crescemos (risos) mas envelhecemos. As coisas mudam, você meio que trabalha melhor com experiência de vida do que com experiência geral, teoria".

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KNAC.COM: Como a cena grunge afetou o SKID ROW?

BOLAN: "Bom, ela nos afetou tanto quanto afetou toda a cena. Nos deixou sem emprego por um tempo. Tinha vezes que só de eu mencionar que era do Skid Row, o povo me olhava como se eu tivesse uma 'letra escarlate' (risos). [Nota do Editor: no início da colonização americana, as pessoas que cometiam algum ato considerado impróprio - principalmente as mulheres adúlteras - tinham bordada em sua roupa uma letra vermelha, para que todos soubessem de seu "erro"]. Foi duro. Meus amigos sempre diziam que esse estilo iria voltar a fazer sucesso. Eu falava, 'tomara'. Porque eu adoro sair em turnê e tocar. Isso nos preocupou por um tempo. Mas eu acho que isso acontece com todos os gêneros. Hoje em dia ninguém mais nem fala de grunge".

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KNAC.COM: Qual a diferença do clima no estúdio hoje em dia da época em que Sebastian ainda estava na banda?

BOLAN: "Hoje em dia rola muito menos estresse. Virtualmente não há estresse. Gravar discos com Johnny é uma bênção. O cara é muito preparado. Ele entra no estúdio e faz o que tem que fazer muito rápido, digamos assim. Ele sabe o que tem que fazer. Ele tem um ótimo senso de 'feeling' para as músicas que fazemos. A gente não tem que ficar falando muito o que ele tem que fazer. Ele vai lá, entra na sala e faz. Ele adora trabalhar com o Michael. Na primeira vez que ele trabalhou com Michael, ele tinha ouvido como o Michael pega pesado com vocalistas. Eu disse para ele se preparar; ele quer a melhor performace que você tem dentro de si. Michael falou, 'Oh meu Deus. Quisera eu que todos cantassem assim'. Ele termina tudo muito rápido, ele sabe o que quer".

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KNAC.COM: Quando o Sebastian saiu em 1996, vocês chegaram a ter algum tipo de reservas sobre o futuro da banda? Você chegou a pensar em se dedicar em tempo integral às corridas de carros?

BOLAN: "Só pra esclarecer as coisas: nós despedimos Sebastian. Quando voltamos com a banda, ele nunca foi convidado. Então fomos nós que não quisemos mais tocar com ele, não o contrário. Dito isso, eu sempre soube que voltaria para a música. É o que está dentro de mim. É o que eu faço. De tudo o que eu faço, isso é o que faço melhor. Corrida pra mim é um hobby. Eu corro pra me divertir e para liberar o estresse. Eu nunca cogitei deixar de trabalhar com música, mesmo que fosse só compor músicas para outras pessoas ou trabalhar com produção. Quanto mais velho eu fico, eu fico meio que de saco cheio às vezes de tanto fazer turnê. Daí quando eu fico parado por uns dois meses, como agora, que faz duas semanas que não fazemos shows, eu já fico subindo pelas paredes. Eu já fico assim, meio que 'tenho que subir no palco de novo'".

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KNAC.COM: Você ainda fala com o Rob Affuso, baterista original do SKID ROW?

BOLAN: "Sim, nós nos comunicamos por e-mail. Ele está muito bem".

KNAC.COM: Como está o Snake? Eu ouvi dizer que ele estava tendo dificuldades com a mão?

BOLAN: A princípio pensaram que era Síndrome do Túnel do Carpo [Nota do editor: uma doença que ocorre quando o nervo que passa na região do punho fica submetido à compressão - clique aqui para ler mais detalhes]. Mas tem a ver com um problema de disco na coluna. Ele caiu há algum tempo, quando a gente estava em turnê com o KISS, e machucou a bacia. Foi meio que um reflexo disso. Depois ele fez tratamento da coluna que resultou em um disco avariado. É uma daquelas coisas que você nunca sabe se vai dar certo ou não. Ele quer evitar cirurgia, e eu não o culpo. Então de vez em quando a mão dele fica boa por um mês. A gente sai em turnê, mas às vezes chega a um ponto em que ele sequer consegue segurar o braço da guitarra. Daí um amigo nosso, Kerri Kelli, que toca com o Alice Cooper, vem e substitui o Snake quando não dá pra ele".

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KNAC.COM: Rachel, tem mais alguma coisa que você queira dizer sobre o álbum "Revolutions Per Minute"?

BOLAN: "Vá até a loja e compre dez cópias. Eu gostaria de agradecer aos fãs por se manterem firmes por todos esses anos e constantemente irem aos shows. É sempre bom ver todos os amigos que já conhecemos, e todas as caras novas e o pessoal mais jovem vindo ver a gente tocar. É bem legal poder estar ainda por aí e mais importante de tudo poder lançar música nova".

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Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.
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