Régis Tadeu: Começou a III Guerra Mundial. E ela é digital!
Por Carlos Alberto de Oliveira
Fonte: Na Mira do Régis
Postado em 24 de janeiro de 2012
Regis Tadeu, editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera, Teclado & Piano e Studio, escreveu em sua coluna no Yahoo! Na Mira do Régis sobre os recentes episódios envolvendo o SOPA e o fechamendo do Megaupload, confira alguns trechos:
Eu sei que você pode pensar que meus miolos estão submersos por conta da grande quantidade de chuva que anda caindo em São Paulo para que eu tenha escrito o título deste texto. Não me importo. Você pode pensar o que quiser. E é justamente por defender a sua liberdade que resolvi escrever este artigo, baseado em tudo o que vi, li e ouvi na semana passada a respeito da verdadeira batalha que está em ação não apenas na internet, mas também nos corredores do Congresso americano. Uma batalha que pode mudar a sua vida para pior.
Calma, eu explico...
É claro que você sabe a respeito do fechamento do Megaupload (leia ). Fundado pelo alemão Kim Schmitz em 2005 e com sede em Hong Kong, este sistema de compartilhamento de arquivos tinha expandido seus tentáculos ao criar uma série de serviços de armazenamento específico. Já tinha chegado ao incrível número de 82 milhões de visitantes únicos e 440 milhões de visualizações em todo o planeta.
Só que o encerramento de suas atividades por conta da ação do FBI provocou a mais incrível retaliação digital já vista, capitaneada por um enorme grupo de hackers autodenominado "Anonymous", do qual fazem parte mais de seis mil especialistas em derrubar e contaminar de maneira on line qualquer coisa que vejam pela frente. O que se viu a seguir foram sites até então inexpugnáveis serem derrubados como moscas por uma raquete elétrica. Entidades governamentais — incluindo o Departamento de Justiça americano e o próprio FBI -, da indústria da música e do cinema foram bombardeadas com tal intensidade que cada site foi "bloqueado" e tirado do ar.
Mas a coisa toda tomou uma proporção exponencialmente mundial porque isto aconteceu exatamente quando dois projetos de lei americanos estavam prestes a serem votados no Congresso Americano. O "Stop Online Piracy Act" (SOPA), do senador republicano Lamar Smith, do Texas, tinha como proposta principal endurecer — e muito — a batalha contra a pirataria e atingir os sites que compartilhavam "materiais pirateados", tudo em conluio com o segundo projeto, "Protect IP Act" (PIPA), que corre no Senado americano. A pressão foi tamanha que ambos os projetos tiveram suas votações adiadas e foram retirados da pauta na semanada passada em vista dos "últimos acontecimentos", um eufemismo para "se não pararmos com isto, vai dar uma merda histórica".
(...)
Ok, vamos falar a verdade e parar com este falso puritanismo: todo mundo já baixou música, vídeos, filmes e o escambau a quatro pela internet. Então, vamos todos deixar de ser hipócritas.
O que a indústria e os governos parecem não entender é que não é mais possível criar um projeto que consiga proteger os direitos autorais. Não dá mais para enfrentar a pirataria na internet. Outra coisa: ninguém está pedindo para os artistas ou criadores trabalharem de graça, mas sim que as indústrias que os empregam passem a entender de uma vez por todas que seus antigos modelos de negócios estão completamente defasados, que não dá para fazer o mundo inteiro regredir trinta anos para que voltem a lucrar como antigamente.
Vamos abordar o mercado musical? Ok. Sei que isto vai deixar os mais incautos de boca aberta, mas é a verdade: 90% dos artistas internacionais ultramega famosos colocam seus próprios discos na internet para download! É isto mesmo.
(...)
Agora, vamos encarar outra verdade? Este papo de "a pirataria faz o artista não conseguir viver de sua música" é pura cascata para enganar otários. Todo artista esperto já percebeu que o lance hoje é ganhar grana com os shows. Aliás, hoje não. Sempre foi assim. Nenhum artista do planeta realmente ganhou dinheiro com vendas de discos. Perto do faturamento com os shows, a grana advinda da venda de discos sempre foi irrisória, já que os royalties sempre foram muito baixos. Quem ganhava era a gravadora. Hoje isto acabou.
O que acontecia é que a maioria destes mesmos artistas recebia de suas gravadoras "adiantamento em dinheiro" para gravar seus discos, grana esta que era descontada da banda conforme as vendas do disco iam sendo atualizadas. E isto também era regra aqui no Brasil. Acabou esta mamata, né?
Hoje, todo artista ganha indiretamente muito mais dinheiro com o "roubo" de suas ideias do que com a execução e/ou vendas das mesmas. Se para ganhar MUITO DINHEIRO com shows, barraquinha de "merchandise" e o caralho a quatro o artista tiver que dar de ombros caso o seu disco seja "downloadeado", ele vai fazer isto. Na verdade, ele já faz isto. Ao postar propositalmente os seus discos para download, o artista sabe que vai despertar a curiosidade do fã em relação ao seu show, o que significa mais ingressos, camisetas e mesmo CDs e DVDs vendidos nas barraquinhas de badulaques que são montadas em cada apresentação. Como o artista sabe que mais de 90% do dinheiro da venda dos CDs nas lojas vai para a gravadora, enquanto que no show a empresa não "morde" nada, adivinhe quem ele prefere agradar?
Veja o caso deste modestíssimo escriba aqui. Os textos que escrevo aqui no Yahoo são reproduzidos em centenas de outros sites, blogs e o escambau a quatro espalhados pela internet, sempre citando a fonte. Você acha que vamos brigar com cada um deles por causa dos "direitos de publicação" se o que eles estão fazendo é justamente divulgar o nosso trabalho? Claro que não, né?
Leia o artigo completo neste link.
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