Andreas Kisser: as audições de Chuck Billy para o Sepultura
Por Renan CxCx
Fonte: DeadRhetoric.com
Postado em 08 de janeiro de 2014
David E. Gehlke do DeadRhetoric.com recentemente conduziu uma entrevista com Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura. Alguns trechos podem ser conferidos a seguir.
DeadRhetoric.com: Visto que você está trabalhando com Ross [Robinson] novamente, alguns podem lembrar da primeira vez que você gravou com ele, em uma época em que tocar com afinações mais graves se tornou algo popular com bandas como Korn e Deftones. Max [Cavalera] sempre foi um grande proponente disso; você também era?
Kisser: No começo, não muito. Eu era meio cético quanto a afinações mais graves, pois bandas como Korn e Deftones não possuem a mesma pegada rápida como as músicas do Sepultura. Eu estava preocupado em perder aquele tipo de habilidade mais veloz e as palhetadas, as palhetadas pesadas nas cordas mais graves. Mas há tantas possibilidades com as cordas mais grossas, que dão esse tipo de tensão, e sem perder a habilidade de tocar rápido. "Trauma Of War", a música que abre o novo álbum do Sepultura, está com uma afinação mais grave, mas é uma música muito rápida e mesmo assim não se perde tais habilidades. Eu aprendi a lidar com isso, abrindo uma gama enorme para a música, mas no começo eu era um pouco cético.
DeadRhetoric.com: O que você se recorda de seu primeiro encontro com Derrick?
Kisser: Foi ótimo. Ele veio dos Estados Unidos para o Brasil pois nós estávamos fazendo algumas audições com várias pessoas. Ele nos mandou uma demo e cantou "Choke". Eu tenho várias versões desta música com inúmeros vocalistas, incluindo Marc Grewe do Morgoth, Phil Demmel do Machine Head e Vio-Lence, Jason "Gong" Jones do Drowning Pool e Jorge Rosado do Merauder. Algum dia irei lançar esta música em diferentes versões. Até mesmo Chuck Billy do Testament fez testes conosco. Foi interessante a maneira que ele cantou "Choke". Seria bacana lançá-las. Porém, Derrick veio para o futuro. Nós não estávamos procurando por alguém idêntico ao Max, ou tentando substituí-lo por um clone. Com um visual diferente, atitude diferente, nós gostamos do Derrick e sentimos que ele poderia crescer, o que veio a acontecer. Seu vocal é ótimo e bem diverso, ele consegue fazer linhas melódicas e também linhas mais agressivas, além de raramente perder a voz. Ele é bem profissional e cuida muito de sua voz durante as turnês. Ele é ótimo. Ele é o tipo de cara bastante inteligente, nós conversamos muito sobre filmes, documentários, livros e escrevemos letras juntos. Nós criamos títulos para as músicas, conceitos e tudo mais. Ele é um ótimo parceiro neste quesito.
DeadRhetoric.com: Falando de personalidades, vocês se conectaram com ele relativamente rápido?
Kisser: Creio que para ele tenha sido um pouco diferente. Ele veio para o Brasil substituindo o Max Cavalera, o que foi bem difícil no começo - sendo negro em tal sociedade racista no mundo todo, não somente na America. É ótimo que ele tenha superado tudo isso com tamanha coragem e profissionalismo. O Sepultura também, com alguém como ele na banda nós dissemos o que sempre dizemos, que somos a favor da justiça, igualdade e respeito. Nós vivemos isso; não é algo que é dito somente para nossas letras. Nós realmente somos o que somos. Ele foi a melhor escolha para nós, é o tipo de cara que pôde entender o estilo de vida do Sepultura, de tocar em qualquer lugar e conseguir sobreviver em um ônibus sem querer matar uns aos outros (risos). Nós temos as mesmas idéias, acho que o Derrick foi o cara perfeito para nós, e é o que tem se mostrado.
DeadRhetoric.com: Referente à grande procura de vocalistas em 1997 e 1998, você deu uma enlouquecida com tantas as pessoas interessadas?
Kisser: Definitivamente. Logo após a saída de Max, já em janeiro ou fevereiro de 97, eu, Igor [Cavalera, baterista] e Paulo [Xisto, baixista] nos reunimos e começamos a escrever coisas novas. Não queríamos tocar nenhuma das antigas. Não queríamos mostrar às pessoas algo como "Refuse/Resist", isso seria muito fácil. Queríamos ver o "cara novo" cantando algo que ele nunca havia ouvido antes; queríamos vê-lo em ação e as possibilidades com seu vocal. Nós ficamos de 8 a 9 meses como trio e até cogitamos de permanecermos assim, ficando eu nos vocais. Inclusive até fiz algumas aulas de canto e tentamos fazer algumas demos, mas eu canto muito mal (risos). Fui o primeiro vocalista do sepultura a receber um "não" (risos).
DeadRhetoric.com: Eu já vi e ouvi você fazendo backing vocals. Você não tem uma voz ruim.
Kisser: Eu posso usar minha voz relativamente bem, consigo gritar, mas para ser um vocalista e abraçar isso, é necessário muito mais do que ter uma boa voz. Você deve fazer algo diferente. Eu sou um guitarrista e não queria perder meu tempo que poderia estar tocando guitarra para ser algo que não sou. Não quero forçar a situação. A época de trio foi ótima - não fizemos shows, mas ensaiamos e tentamos coisas novas, colocamos nossas cabeças no lugar, sem tomar nenhuma grande decisão em relação ao tumulto que estava acontecendo. Nós resolvemos tudo com o Max, assinamos todos os papéis, ele estava fora, não quis mais nada com o Sepultura. Ele saiu e nós começamos a procura por um novo vocalista. Então Derrick veio no começo de 98, se mudou para o Brasil e começamos nossa jornada.
A entrevista completa pode ser conferida em DeadRhetoric.com.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
O gênero musical cujo nome não faz sentido algum, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
200 shows internacionais de rock e metal confirmados no Brasil em 2026
O guitarrista que custou mil dólares por dia a David Gilmour; "eu queria bater nele"
O guitarrista que Jack Black chama de "gênio"; "Ele inventou mais riffs do que qualquer um"
A banda em que membros do Iron Maiden e Dio disputaram para entrar e só um conseguiu
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
Bruce Dickinson relembra "Killers" e diz que gostaria de ter participado do álbum
Nirvana: "In Bloom" e o recado para quem canta sem entender a letra
Vídeo dos Mutantes tocando Beatles em 1969 é encontrado
"Até quando esse cara vai aguentar?" O veterano que até hoje impressiona James Hetfield
A banda mais influente do rock progressivo, de acordo com Geddy Lee
Iron Maiden começou a lucrar de verdade a partir do terceiro disco, diz Steve Harris
O grande problema dos australianos, brasileiros e ingleses, segundo ex-roadie do Sepultura

O primeiro encontro de Max Cavalera com Lemmy Kilmister - que não foi dos mais amigáveis
A lenda do metal nacional cujo apelido veio após arrancarem suas calças
O álbum dos Titãs que foi entregue a Mike Patton do Faith No More na casa de Max Cavalera
O que Max Cavalera não gostava sobre os mineiros, segundo ex-roadie do Sepultura
A música do Motörhead que marcou Derrick Green, vocalista do Sepultura
Max, Andreas, Fernanda e Prika falam sobre Lemmy; "Esse cara fuma 40 cigarros de uma vez?!"
O disco de hip-hop que fez a cabeça dos irmãos Cavalera nos anos 80
Site americano aponta curiosa semelhança entre Sepultura e Opeth que poucos notaram
Morre o técnico de som "Macarrão", que trabalhou com Raimundos, Sepultura, Mamonas e outros
Max Cavalera deixa "Big Four" de fora ao escolher seus três discos de Thrash preferidos
Cinco países com muita tradição no mundo do heavy metal


