Andreas Kisser: as audições de Chuck Billy para o Sepultura

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Por Renan CxCx, Fonte: DeadRhetoric.com, Tradução
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David E. Gehlke do DeadRhetoric.com recentemente conduziu uma entrevista com Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura. Alguns trechos podem ser conferidos a seguir.

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DeadRhetoric.com: Visto que você está trabalhando com Ross [Robinson] novamente, alguns podem lembrar da primeira vez que você gravou com ele, em uma época em que tocar com afinações mais graves se tornou algo popular com bandas como Korn e Deftones. Max [Cavalera] sempre foi um grande proponente disso; você também era?

Kisser: No começo, não muito. Eu era meio cético quanto a afinações mais graves, pois bandas como Korn e Deftones não possuem a mesma pegada rápida como as músicas do Sepultura. Eu estava preocupado em perder aquele tipo de habilidade mais veloz e as palhetadas, as palhetadas pesadas nas cordas mais graves. Mas há tantas possibilidades com as cordas mais grossas, que dão esse tipo de tensão, e sem perder a habilidade de tocar rápido. "Trauma Of War", a música que abre o novo álbum do Sepultura, está com uma afinação mais grave, mas é uma música muito rápida e mesmo assim não se perde tais habilidades. Eu aprendi a lidar com isso, abrindo uma gama enorme para a música, mas no começo eu era um pouco cético.

DeadRhetoric.com: O que você se recorda de seu primeiro encontro com Derrick?

Kisser: Foi ótimo. Ele veio dos Estados Unidos para o Brasil pois nós estávamos fazendo algumas audições com várias pessoas. Ele nos mandou uma demo e cantou "Choke". Eu tenho várias versões desta música com inúmeros vocalistas, incluindo Marc Grewe do Morgoth, Phil Demmel do Machine Head e Vio-Lence, Jason "Gong" Jones do Drowning Pool e Jorge Rosado do Merauder. Algum dia irei lançar esta música em diferentes versões. Até mesmo Chuck Billy do Testament fez testes conosco. Foi interessante a maneira que ele cantou "Choke". Seria bacana lançá-las. Porém, Derrick veio para o futuro. Nós não estávamos procurando por alguém idêntico ao Max, ou tentando substituí-lo por um clone. Com um visual diferente, atitude diferente, nós gostamos do Derrick e sentimos que ele poderia crescer, o que veio a acontecer. Seu vocal é ótimo e bem diverso, ele consegue fazer linhas melódicas e também linhas mais agressivas, além de raramente perder a voz. Ele é bem profissional e cuida muito de sua voz durante as turnês. Ele é ótimo. Ele é o tipo de cara bastante inteligente, nós conversamos muito sobre filmes, documentários, livros e escrevemos letras juntos. Nós criamos títulos para as músicas, conceitos e tudo mais. Ele é um ótimo parceiro neste quesito.

DeadRhetoric.com: Falando de personalidades, vocês se conectaram com ele relativamente rápido?

Kisser: Creio que para ele tenha sido um pouco diferente. Ele veio para o Brasil substituindo o Max Cavalera, o que foi bem difícil no começo - sendo negro em tal sociedade racista no mundo todo, não somente na America. É ótimo que ele tenha superado tudo isso com tamanha coragem e profissionalismo. O Sepultura também, com alguém como ele na banda nós dissemos o que sempre dizemos, que somos a favor da justiça, igualdade e respeito. Nós vivemos isso; não é algo que é dito somente para nossas letras. Nós realmente somos o que somos. Ele foi a melhor escolha para nós, é o tipo de cara que pôde entender o estilo de vida do Sepultura, de tocar em qualquer lugar e conseguir sobreviver em um ônibus sem querer matar uns aos outros (risos). Nós temos as mesmas idéias, acho que o Derrick foi o cara perfeito para nós, e é o que tem se mostrado.

DeadRhetoric.com: Referente à grande procura de vocalistas em 1997 e 1998, você deu uma enlouquecida com tantas as pessoas interessadas?

Kisser: Definitivamente. Logo após a saída de Max, já em janeiro ou fevereiro de 97, eu, Igor [Cavalera, baterista] e Paulo [Xisto, baixista] nos reunimos e começamos a escrever coisas novas. Não queríamos tocar nenhuma das antigas. Não queríamos mostrar às pessoas algo como "Refuse/Resist", isso seria muito fácil. Queríamos ver o "cara novo" cantando algo que ele nunca havia ouvido antes; queríamos vê-lo em ação e as possibilidades com seu vocal. Nós ficamos de 8 a 9 meses como trio e até cogitamos de permanecermos assim, ficando eu nos vocais. Inclusive até fiz algumas aulas de canto e tentamos fazer algumas demos, mas eu canto muito mal (risos). Fui o primeiro vocalista do sepultura a receber um "não" (risos).

DeadRhetoric.com: Eu já vi e ouvi você fazendo backing vocals. Você não tem uma voz ruim.

Kisser: Eu posso usar minha voz relativamente bem, consigo gritar, mas para ser um vocalista e abraçar isso, é necessário muito mais do que ter uma boa voz. Você deve fazer algo diferente. Eu sou um guitarrista e não queria perder meu tempo que poderia estar tocando guitarra para ser algo que não sou. Não quero forçar a situação. A época de trio foi ótima - não fizemos shows, mas ensaiamos e tentamos coisas novas, colocamos nossas cabeças no lugar, sem tomar nenhuma grande decisão em relação ao tumulto que estava acontecendo. Nós resolvemos tudo com o Max, assinamos todos os papéis, ele estava fora, não quis mais nada com o Sepultura. Ele saiu e nós começamos a procura por um novo vocalista. Então Derrick veio no começo de 98, se mudou para o Brasil e começamos nossa jornada.

A entrevista completa pode ser conferida em DeadRhetoric.com.




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