Judas Priest: a visão detalhada sobre "Painkiller"
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 05 de abril de 2014
No final dos anos 80, o metal já não mais se resumia à versão monolítica de riffs em power chords destilado pelos filhos do operariado inglês de vinte anos antes. Disperso por inúmeras nomenclaturas, popularizado e polinsaturado pela MTV, o apagar das luzes da década via um BLACK SABBATH desfigurado, um DEEP PURPLE tímido e até bandas da segunda geração como o IRON MAIDEN vasculhando novos caminhos, incorporando sintetizadores e procurando se manter no topo diante da nova concorrência.
Não por acaso, o JUDAS PRIEST também procurava alcançar sua terceira década em meio ao furacão de extremos entre posers de L.A. aos extremistas do black escandinavo. Após incorporar guitarras sintetizadas em "Turbo" (1986) e se manter irregular em "Ram It Down"(1988), a banda precisava resgatar sua popularidade do começo da década e, simultaneamente, preservar sua integridade musical. Por volta dessa mesma época, K.K. DOWNING (que chegou a declarar para a Kerrang! "chegamos a um ponto em que acho que nossos fãs torcem mais pelo nosso fracasso do que pelo nosso sucesso") e GLENN TIPTON, interessados na nova safra de concorrência (sobretudo PAUL GILBERT), passaram a tomar aulas de guitarra afim de incorporar novas técnicas, como o então emergente sweep picking, ao "expediente".
"Painkiller"- o álbum- foi lançado em setembro de 1990, atrasado pelo imbróglio judicial envolvendo o JUDAS e o suicídio de dois adolescentes em nevada, cincos anos antes. Marcado por uma sonoridade speed e nada comercial o disco trouxe faixas de altíssimo nível como "Metal Meltdown", "Leather Rebel", "A Touch of Evil", "Night Crawler" e "All Guns Blazing".Mas foi o primeiro single lançado - a faixa homônima- que se tornaria uma onipresença nos shows da banda e, definida por HALFORD, foi descrita como " uma declaração maravilhosa que encarna o metal; uma música completa que leva o público a um milhão de quilômetros por hora". Criada a partir do conceito da "criatura que vem ao mundo para suprimir o mal, "Painkiller" – a faixa – foi indicada ao Grammy e sinalizou que o JUDAS ainda marcava território dezesseis anos depois de seu debut.
A faixa é o primeiro registro de SCOTT TRAVIS com a banda (substituindo DAVE HOLLAND (que já tinha deixado, por problemas de saúde, de gravar algumas faixas no disco anterior, sendo substituído por uma bateria eletrônica!). Não se fazendo de rogado, TRAVIS executa uma abertura complexa (que antecede ao registro de "One Little Victory" do RUSH, cuja introdução possui uma leve semelhança), seguida do riff "politriz" que prepara o registro vocal altíssimo de HALFORD. O primeiro solo de guitarra na canção é interpretada por TIPTON, e o segundo por DOWNING e, sobretudo naquele, fica claro o avanço nas técnicas de ligado e palhetada incorporados ao longo dos anos. Segundo resumido pelo VILLAGE VOICE à época, "HALFORD vem urrando sobre as mesmas criaturas noturnas rastejantes e transgressoras, ao passo que KK DOWNING e GLENN TIPRON vêm se sacudindo pelos últimos 16 anos. Só que nunca tinham o feito com tamanha urgência". Hail Metal Gods!
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