Deep Purple: os ótimos comentários de Roger Glover sobre cada faixa de "InFinite"
Por Igor Miranda
Fonte: TeamRock
Postado em 11 de abril de 2017
O baixista Roger Glover comentou todas as faixas de "InFinite", disco mais recente do Deep Purple, em entrevista à TeamRock. O disco foi lançado na última sexta-feira (7).
Sobre "InFinite" como um todo, Roger Glover disse que um dos integrantes do Deep Purple sugeriu que a banda lançasse faixas avulsas em vez de um álbum completo. "A ideia era lançar uma faixa a cada um ou dois meses e seguir fazendo turnês", disse.
Glover não gostou da ideia. "Apesar de fazer sentido financeiramente falando, não há sentido emocional para mim. Pode ser antiquado, mas somos uma banda de discos", afirmou.
Ele completa: "O álbum é uma forma de arte em extinção. Eles não geram dinheiro e são considerados uma perda de tempo e de esforço".
Veja, abaixo, o que Roger Glover falou sobre cada faixa de "InFinite":
1) "Time For Bedlam"
Roger Glover: "No fim de uma jam que soou promissora, perguntei se alguém na banda tinha um título para a música. 'Time For Bedlam' foi minha sugestão - é um divertido jogo de palavras. Foi considerado até mesmo como um título do álbum em um ponto, mas desconsideramos. Quando escrevemos as músicas, nos colocamos na atmosfera da canção e tentamos colocar para fora sobre o que ela é. E essa soou viciante. Especialmente pelo teclado solo. Era 'bedlam' ('confusão')."
2) "Hip Boots"
Roger Glover: "Não sei o quão é real, mas anos atrás, ouvi que a origem da palavra 'hip' ('quadril') vem de uma expressão americana que diz: 'você pode me enterrar em merda até os joelhos, mas estarei com minhas botas de quadril'. E fiquei com isto no meu cérebro por 20 anos. É uma música sobre liberdade e estar acima de tudo. Gosto de ela segiur pela progressão de 3/4."
3) "All I Got Is You"
Roger Glover: "Vem de uma frase que Ian Paice usa. Você diz algo a ele. Ele olha para seu rosto com um olhar vazio e diz: 'olhe desta forma, você me tem: tudo o que tenho é você'. O senso de humor de Ian é baseado em insultos. O disco não tinha direção inicial, mas sabíamos que não queríamos fazer músicas de amor. Não queríamos falar de carros em alta velocidade e garotas. Queríamos letras para a nossa idade, histórias e boas palavras. E esta é uma boa canção sobre um relacionamento indo mal."
4) "One Night In Vegas"
Roger Glover: "Essa tem um groove realmente legal, ao estilo Freddie King, que amamos. É uma das minhas faixas favoritas. Don Airey contou uma história sobre uma banda que tocou Las Vegas e o baixista ficou realmente bêbado. Ele acordou na manhã seguinte de ressaca, incapaz de se lembrar de nada, com uma garota que ele não conhecia deitada ao seu lado. Ele perguntou quem era e ela disse: 'Eu sou sua esposa'. E eles ainda estão juntos depois de 30 anos!"
5) "Get Me Outta Here"
Roger Glover: "Estava em casa no meu estúdio, brincando com o Pro Tools. Coloquei quatro compassos da da introdução de Ian Paice para 'Bodyline' (de 'Now What?!') e e diminuí a velocidade. Ficou quase reggae e grandioso. Os tambores ficaram mais espessos, mas o balanço de Ian ainda está lá. Eu adorei e fiz um riff baseado nesas batida. Fluiu. Talvez eu estivesse pensando sobre 'We Gotta Get Out Of This Place', do The Animals, ou no estado em que o mundo está. Você apenas quer ficar afastado de tudo."
6) "The Surprising"
Roger Glover: "Steve tocou essa bela sequência de acordes. Fizemos uma jam. Dei o título 'The Surprising Mr. Morse' ('O surpreendente sr. Morse'), pois foi algo incrível que ele tocou. As letras são de Ian Gillan e suponho que se trata de tentação, mas é ambígua e eu gosto de letras ambíguas. As pessoas podem entender o que quiserem. 'Smoke On The Water' é literal, mas um DJ me perguntou, uma vez, se realmente colocamos fogo em uma ilha."
7) "Johnny's Band"
Roger Glover: "'Johnny's Band' era quase uma música pop. Steve veio com a ideia e nem toda a banda gostou no início: Ian Paice achou que era um pouco irreverente demais, mas Ian Gillan adorou e decidimos levar adiante. Sabia que precisava de um coro forte para fazê-la funcionar."
"Pensei no 'Behind The Music', da VH1, onde a história de cada banda é igual. Começam com nada, têm algum sucesso, depois chegam ao auge, então bebidas, drogas e mulheres acabam com eles, que processam uns aos outros, mas voltam a tocar juntos 20 anos depois, pois percebem que os primórdios foram os melhores tempos de suas vidas. 'Johnny's Band' é a história de cada banda. É uma história universal. Mas não é sobre Deep Purple! Há uma referência a 'Louie Louie' no solo de guitarra que a coloca firmemente nos anos 60."
8) "On Top Of The World"
Roger Glover: "É baseada em uma história verdadeira de Ian Gillan. Aconteceu com ele há muito tempo, acho que em Kuala Lumpar (Malásia). Ele teve uma noite daquelas e acabou em cima de um edifício onde viviam todas as prostitutas e dançarinos de rua. Ele estava nos contando esta história e Bob (Ezrin, produtor) queria encaixar a história na backing track, mas é muito longa. Condensei a história em uma uma forma mais curta, mas ainda era muito longa para uma canção. Estávamos a ponto de abandoná-la e eu pensei: 'por que não fazemos algo no final?' E foi assim que aconteceu."
9) "Birds Of Prey"
Roger Glover: "Trabalhamos em um riff que fiz na sala de ensaios e ainda amo o breve arranjo que fizemos. Era pesado. Na versão gravada, o final gira em torno de duas ou três vezes, mas na jam que fizemos, ele gira em 10 ou 12 vezes. Simplesmente não conseguíamos parar de tocá-lo. Steve e Don trocaram solos e há uma sensação encantadora de liberdade sobre isso. Pessoas dizem que querem a paz, mas nunca a teremos. O mundo nunca teve paz porque o estado natural do ser humano é conflito. Sempre estaremos em desacordo com algo e eu queria dizer algo sobre isso. Minha primeira imagem foi o 11 de setembro - daí 'Birds Of Prey' - mas vai muito além disso. E a música não se repete. Não é verso-refrão-verso-refrão-solo. É uma viagem."
10) "Roadhouse Blues" (cover de The Doors)
Roger Glover: "Foi ideia de Paicey. Em 'Now What?!', gravamos 'It's Be Me', de Jerry Lee Lewis (está nas versões deluxe) por diversão. Bob sugeriu que escolhêssemos outra faixa antiga. Passamos cerca de um minuto pensando: 'Bo Diddley? Bob Dylan?'. Então, Paicey contou sobre de quando trabalhou pela última vez com bandas de tributo quando esteve fora da estrada, para manter a forma. Eles estavam fazendo 'Black Night' e no final o cantor entrou em 'Roadhouse Blues'. Então ele sugeriu e Bob disse: 'é isso, vamos fazer isso!' Demorou menos de meia hora e é tudo ao vivo: vocais, gaita, tudo."
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