A música que Lars Ulrich disse ter "o riff mais clássico de todos os tempos"
Por Bruce William
Postado em 06 de dezembro de 2025
Quase todo guitarrista já passou por isso: pega o instrumento pela primeira vez, aprende meia dúzia de acordes e, em algum momento, cai naquele mesmo riff simples, repetido à exaustão em lojas de instrumentos. Tão usado que virou piada interna entre vendedores, mas ainda assim continua sendo o atalho mais óbvio quando alguém quer mostrar "rock" em poucos segundos.
Lars Ulrich, que nunca foi conhecido como alguém que toca guitarra, também entrou nessa. Mesmo se declarando "o guitarrista mais analfabeto do mundo", ele admite que consegue tocar esse riff sem esforço. E, na cabeça dele, não se trata apenas de um exercício de principiante: é "talvez o riff mais clássico de todos os tempos", como afirmou ao falar sobre uma das bandas que mais respeita na história do rock pesado.

Apesar de ser lembrado primeiro como baterista do Metallica, Lars sempre se colocou antes de tudo como fã. Como relembra a Far Out, o começo da parceria com James Hetfield veio justamente da troca de referências de bandas de metal que quase ninguém conhecia nos Estados Unidos, como o Diamond Head, que para eles era tão importante quanto os Rolling Stones na hora de pensar em riffs e composições. Essa postura de fã apaixonado se manteve mesmo depois da fama, e aparece com força quando ele fala sobre os pioneiros do som pesado.
Na hora de discutir quem ajudou a pavimentar o caminho do heavy metal, Ulrich reconhece que existe toda uma linhagem anterior ao próprio Metallica. Beatles com "Helter Skelter", Kinks com "You Really Got Me", o impacto direto do Black Sabbath, o peso do Led Zeppelin - tudo isso entra no pacote. Mas, quando o assunto é riff de guitarra que qualquer pessoa reconhece em poucos segundos, ele faz questão de puxar um nome específico: o Deep Purple.
Essa admiração ficou óbvia em 2016, quando o Deep Purple finalmente foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame e Lars foi o escolhido para apresentar a banda na cerimônia. No discurso, ele foi passando por diferentes fases do grupo até chegar àquela música que até quem não é fã sabe cantarolar. Ao se referir à faixa que fala de Frank Zappa e de um cassino em chamas à beira de um lago na Suíça, ele cravou: ."Tem mais uma música, certo? Aquela que todo mundo conhece, sobre Frank Zappa e um cassino pegando fogo num lago suíço. Aquela que talvez tenha o riff mais clássico de todos os tempos. A primeira coisa que qualquer um aprende na guitarra. O riff que, na verdade, foi banido nas lojas de música para preservar a sanidade dos funcionários. O riff que até eu, o guitarrista mais analfabeto do mundo, consigo tocar".
A música, claro, é "Smoke on the Water", do álbum "Machine Head". Para Ulrich, aquele riff de quatro notas criado por Ritchie Blackmore resume muito do que ele entende como a essência do hard rock: uma ideia simples, direta, mas montada de um jeito que soa tão marcante quanto um tema de música erudita. No contexto do disco, o Purple já trabalhava com estruturas mais enxutas, e justamente essa economia ajudou o riff a ficar ainda mais forte - algo que influenciaria gerações de bandas pesadas, incluindo o próprio Metallica.
Mesmo que o Deep Purple nem sempre seja o primeiro nome lembrado quando se fala em "fundadores do metal", faixas como "Smoke on the Water" carregam ali, no meio do rockão setentista, a base de muita coisa que viria depois: peso, repetição hipnótica, um clima mais sombrio e um riff que qualquer iniciante consegue tocar, mas poucos conseguem criar. Do ponto de vista de Lars Ulrich, não é exagero dizer que aquele desenho simples no braço da guitarra segue sendo uma das pedras fundamentais de tudo o que ele ajudou a construir anos mais tarde com o Metallica.
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