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Draconica: rasgando o manual contemporâneo

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Postado em 23 de outubro de 2018

Qualquer cara "old school" como eu fica puto quando alguém diz que o rock brasileiro começou nos anos 80. Mesmo sendo assumidamente chegado na década da estética ruim, mas de um certo heroísmo ingênuo e honesto, não dá para começar a cronologia "tupinica" de quando a Fluminense FM abriu a picada para uma latente forja da cartilha do punk/póspunk britânico, onde o GANG OF FOUR deu voz ao LEGIÃO URBANA, o THE POLICE avalizou aos PARALAMAS e A CERTAIN RATIO deu a benção à existência dos TITÃS (essa analogia eu roubei do finado CARLOS EDUARDO MIRANDA, ´Hail´Atahualpa!). Todas essas bandas assumiram-se com o passar do tempo (algumas orgânica e honestamente; outras, plástica e desmoralizada), construindo o seu self por demandas de mercado e dando ao público leigo o marco zero. Outro ponto é que, assim como o rock n´roll quase foi soterrado no o próprio berço no final dos anos 50 (ELVIS no exército, BUDDY HOLLY e EDDIE COCHRAN mortos, LITTLE RICHARD assombrado pela satanização cultural daquela época, CHUCK BERRY preso e por aí vai), mas foi salvo do iminente limbo pela Invasão Britânica, é inegável que o "rock de bermudas" (essa eu roubei do RAUL), posteriormente, chamou a atenção histórica para os bandeirantes dos anos 60 e 70- os verdadeiros carregadores de piano desse país com a memória equivalente à de um peixe beta.

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Municiados por guitarras Tonante e amplificadores de 40 watts, os caras aqui batalhavam ao melhor estilo "aqui fora eu batalho pelas minhas refeições", em um contexto que THE WHO não conseguiria sequer imaginar quando escreveu essas linhas. Se o MUTANTES foi além do impensável- construindo pedais de wha wha com agulhas de tricô- RONNIE VON ( ouça as mega lisérgicas gravações dele naquela década) migrou (e por isso sobreviveu) e o SECOS E MOLHADOS, que mesmo tendo se estraçalhado pelo ego teve seu legado reconhecido, a maioria ficou para enciclopedistas com o meu grande amigo WAGNER XAVIER. BOLHA, O TERÇO, CASA DAS MÀQUINAS são só a ponta do iceberg que tinha O SOM NOSSO DE CADA DIA, o sensacional EQUIPE MERCADO e MÓDULO 1000 nas últimas cadeiras dos trending topics.

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Vira e mexe, outsiders reverentes (o que seríamos de nós sem esse povo??) retomam essa linguagem. Recentemente ouvi uma personalidade do rock brasileiro afirmando que o rock gaúcho não saía dos anos 60 de jeito nenhum. Não sei como a cena gaúcha entendeu esse comentário- eu consideraria como um puta elogio. Se o CACHORRO GRANDE vai morrer abraçado com o SMALL FACES, eu quero uma cova ao lado. O que muita gente negligencia, entretanto, é como essas reciclagens/revisionismos/releituras/revival, chame do que quiser, é dialética pura: nunca volta como veio; antes é síntese formando novas teses que, "musicofagicamente" cospe novas formas decibélicas que gozosamente mostram-se jarros de novas fontes.

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Nesse (não) sentido, a catarinense DRACONICA é uma espécie de resumo da virada dos anos 60/70, quase uma ponte arquetípica entre o pós - flower power e nossos dias- ao mesmo tempo que não, se é que você me entende. Tentar enquadrar o som dos caras - onde folk, mod, letras sócio poéticas e o cacete a quatro trafegam em uma liquidez desconcertante - é tentar, inutilmente, engessar a própria metalinguagem à que se propõem.

Se os vocais de TANIA LIZTFIRE soam como ecos tessiturais dos anos 90, a intenção lembra mais a DEBBIE HARRY hippie dos tempos de WIND IN THE WILLOWS; se o tecladista DUDA MEDEIROS ludibria o ouvinte com uma cama psicodélica (como na topetuda ‘Ditaduras"), emula KRAFTWERK em "Draconico"; se JHONNY BOSCO lança um vocal contemporâneo em "Eles não pensam por você", lembra um WALTER FRANCO (!) em "Me Sentir Bem". Devidamente cercados pela cozinha coesa e versátil de RICHARD BONDAN e NANDO BRITES, a DRACONICA faz ‘tudo errado": sem apelos, sem clichês, sem produção uniformizada, sem manual, sem segurança- filhos não espúrios do desvario insano e ‘insensato’ da genealogia que os precede e, por isso, diametralmente opostos às (arghhhhhhhhhh!!!!!!!) tendências atuais.

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LESTER BANGS, de saco cheio da música daqueles tempos (hoje ele se suicidaria), declarou em 1980: "Pra ser sincero, estou tão alienado e enojado a ponto de me perguntar se quero mesmo fazer algo nos próximos anos". Ok, DRACONICA- você venceu.

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: [email protected].
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