Neil Peart: Ele não era Deus, ele era um humano que lutou, sofreu e continuou lutando
Por Rodrigo Santos
Postado em 23 de fevereiro de 2020
- Vamos tirar um Rush?
Já ouvi muito essa frase e a minha resposta sempre era uma risada seguida de negativas como "aí é foda", "vixe", "sem chance", "cê é louco?"
Por um tempo até cogitei de tocar "The Working Man", porque era "mais fácil na bateria", mas nunca toquei e coincidentemente essa música não foi gravada pelo NEIL PEART.
Para mim, ele era muito distante, era o melhor baterista vivo da face da Terra, inalcançável.
Ao descobrir que ele era o principal letrista da banda, comecei a me sentir mais próximo dele, pois escrever é algo que gosto muito de fazer.
Quando soube que ele perdeu a filha em um acidente de carro e a esposa de câncer, tudo em um período de 10 meses, me sentir profundamente tocado e mais próximo dele.
O processo de superação do seu luto me fez admira-lo cada vez mais, ele se afastou de tudo e de todos, viajou milhares de quilômetros pelos EUA em sua motocicleta, escreveu três livros, casou, voltou a tocar e teve outra filha.
Não lembro direito quando, mas um dia estava lendo uma entrevista dele em uma revista e lá ele dizia que estava estudando bateria?!
Como assim?? NEIL PEART estudando bateria?? O que ele ainda tinha para aprender?? E porra, quem é o professor do NEIL PEART?!?!
Ler aquela notícia foi um choque de realidade e naquele dia aprendi uma grande de lição, que hoje parece obvio, mas até aquele momento não era.
NEIL PEART estudava, tinha disciplina, era dedicado, amava o que fazia e o conjunto dessas coisas faz o impossível não existir. E principalmente ele se colocava em um lugar no qual ele poderia aprender mais com outros bateristas e isso de forma alguma o desqualificava, ele não era um Deus da bateria, ele era um ser humano, que lutou, sofreu e continuava lutando e como seres humanos que sofrem e lutam, nós éramos iguais!
Difícil conter as lágrimas enquanto escrevo, mas NEIL PEART tocando bateria me ajudou a viver a minha vida de forma mais significativa e feliz.
Sinceramente não sei se ele consegue ler essa mensagem, mas também não faz diferença, pois nós nunca realmente nos conhecemos, eu o assisti no Morumbi em 2002, mas ele não me viu, estávamos muito longe um do outro, assim como agora, porém também sinto-o bem perto de mim.
Obrigado NEIL.
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