Briga sangrenta com skinheads quase cancelou gravação de "Paranoid",do Black Sabbath
Por Bruce William
Postado em 13 de outubro de 2020
A Kerrang! fez uma longa matéria falando sobre as gravações do "Paranoid", lançado no dia 13 de setembro de 1970, portanto completando exatos 50 anos agora em 2020. Confira a seguir o trecho que conta um violento incidente acontecido imediatamente antes do início das gravações, relatado por Tony Iommi.
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O Black Sabbath havia acabado de se apresentar no Winter Gardens Pavilion em Weston-Super-Mare, quando um problema envolvendo o cachê fez com que o baixista Geezer Butler saísse em busca do telefone público mais próximo para ligar para o empresário da banda. Mas, ao entrar na cabine telefônica, Geezer notou que estava cercado por uma galera skinhead que começou a botar pilha gritando "peguem o hippie", o que fez Geezer tremer nas bases.
"Geezer geralmente é um cara de paz, mas eles o assustaram além da conta", diz Iommi, que prossegue: "Ele saiu da cabine e voltou correndo pra nos contar o que aconteceu. Parecia como se um membro de nossa gangue tivesse sido ameaçado, então todos fomos resolver o problema. Ozzy pegou alguma coisa para bater neles, mas eles também tinham tudo quanto é tipo de armas, eram uns idiotas e estavam prontos para uma luta", conta o guitarrista.
Não que a visão de Ozzy ensandecido empunhando algo parecido com um martelo tenha detido os skinheads, apesar dele ter feito bom uso da arma. "Havia muito sangue por lá", relembra Tony. "Foi uma luta bastante violenta. No começo eram meia dúzia deles, mas de repente foram chegando mais caras".
De algum jeito o quarteto - Tony, Ozzy, Geezer e Bill Ward - conseguiu voltar até a van, onde ficaram cuidando de seus ferimentos enquanto voltavam para a cidade natal, Birmingham. "Não sei ao certo como conseguimos, mas saímos de lá quase inteiros. Cheguei em casa e minha mãe me perguntou 'Como foram as coisas por lá?', e eu respondi 'Ah, foi tudo muito bem, valeu!', enquanto me olhava no espelho e contemplava meu olho roxo e sangue para tudo quanto é lado".
Três dias mais tarde o Black Sabbath estava no estúdio Regent Sound de Londres, para gravar o álbum que viria a se tornar o "Paranoid". O fotógrafo Chris Water registrou fotos da banda, e olhando atentamente para Iommi em mais de uma das fotos pode ser visto o olho direito roxo. Mas além das cicatrizes no corpo, aquela briga também inspirou a banda a fazer a letra de "Fairies Wear Boots", que originalmente seria uma canção sobre os perigos do abuso de drogas, mas ganhou este título em "homenagem" aos skinheads.
No livro "Black Sabbath: Doom Let Loose: An Illustrated History" de Martin Popoff, que saiu no Brasil sob o título "Destruição Desencadeada", ao ser perguntado sobre a origem de "Fairies Wear Boots", Geezer Butler explica: "Ozzy escreveu essa aí. Nós fomos perseguidos por uma gangue de skinheads. E os skinheads na Inglaterra costumavam usar uns coturnos enormes da Doc Marten. Quanto mais alto fosse o cano da bota, mais brutos eles eram. Então os skinheads costumavam usar coturnos Doc Marten que iam quase até a altura do joelho. Numa noite, fomos atacados por uns 24 deles, e nós demos uma surra neles. Éramos quatro ou cinco contra 25 ou 24 deles. Nós acabamos com eles, e os chamamos de um bando de fadinhas".
Mas Ozzy, em sua autobiografia "I Am Ozzy", confessa que não se lembra disto. "Não tenho ideia sobre o que fala esta música, embora todos me digam que fui eu que escrevi a letra".
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FONTE: Kerrang!
https://www.kerrang.com/features/it-broke-down-barriers-tony-iommi-on-how-black-sabbath-paranoid-changed-the-game/
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