Septon Classics: novo álbum nas plataformas digitais
Por Bruna Baptista
Postado em 05 de outubro de 2020
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Gravado em 2018, lançado em 2019 de forma física, CD da banda Curitibana Septon Classics entra nas plataformas digitais de todo o mundo após passear pela Europa em alguns programas de rádios pontuais e congêneres, após também a estadia de um ano do vocalista Igor Salles na cidade de Porto, Portugal, onde fora fazer uma especialização em engenharia, levando em sua mochila alguns exemplares do disco físico que foram distribuídos estrategicamente no mercado Europeu através de algumas gigs musicais por ele realizadas por lá. A Septon vem dos anos 90 porém perdeu seu principal letrista e guitarrista Renato Caggiano e após muitas tentativas de formação nunca encontrara tanta identidade e foco musical como nesta recente formação.
O CD da Septon Classics, intitulado "Tell me" traz 6 canções/faixas que viajam entre o blues e rock'n'roll clássico, lembrando em muitos momentos a banda preferida dos 3 músicos, Rolling Stones, influência total da atual formação da banda bem como alguns momentos extremamente personais que levam a buscar uma identidade única jamais encontrada em outra banda Curitibana, embora as 6 faixas tenham hibridez e se encaixem como um quebra cabeças musical.
O disco foi todo gravado em inglês, com o intuito de ganhar o mundo e obviamente porque combina mais com o estilo preterido, com letras diretas criadas por Igor Salles (Gaúcho de Rio Grande - RS). Os arranjos foram todos da banda pré-estudados por mais de 5 meses em estúdio próprio da Monkey Records. O CD também teve participações ilustres por exemplo como o contrabaixista Kosta Matevski (in memorian) natural da Iouguslavia, radicado em Curitiba desde os anos 90, foi o músico que acompanhou o grande guitarrista Nuno Mindelis em várias turnês tanto quanto já tocou acompanhando artistas internacionais de gabarito do blues, que no Brasil chegavam em forma "solo" acompanhados por bandas formadas por Kosta para cada ocasião dessa.
Participaram também das gravações Hermes Adriano Dreschel e Pedro Coelho, tecladistas clássicos do sul do Brasil que acompanharam muitas bandas talentosas de rock clássico e blues também, além claro da pegada excelente do trio Igor Salles na guitarra e vocal, Rogério Franzini no baixo e vocal e Oscar Marinero na bateria e vocal.
Gravado mixado e produzido no estúdio Audio Stamp sob a supervisão técnica de Virgillio Milléo, o disco abre com a pesadíssima "Rock Will Win" carregada em riffs e levadas de bateria pesadas, lembrando obviamente nuances bluesísticas de John Bonham com timbre de guitarra bem "Stoniano" com um slide em destaque que faz com que a música ganhe ares fortes e emoção. Na sequência da introdução um baixo pesadíssimo complementa a levada, temperada por teclados de Pedro Coelho; essa fora a faixa gravada por Kosta Mateviski, com seu Fender Jazz Bass já bem conhecido do blues nacional, pesado numa linha extremamente grave lembrando até as vezes um "precision bass", tamanha força com que Kosta imputa na levada, o refrão é marcante e traz o backing de Franzini segurando firme numa tecitura mais aguda fazendo um belo dueto com Igor deixando o refrão leve e cantante.
"Tell me" segunda faixa do CD e a que traz o nome do disco, é também a música do primeiro clipe da banda gravado no Slaviero Full Jazz Bar de Curitiba, sob a produção de um grupo de estudantes de Publicidade e Produção de Áudio e Vídeo, uma produção que conta com simples roteiro e bons takes do trio no pequeno palco sagrado de um dos bares mais clássicos no estilo musical ao qual se propõe a banda nessa produção. Tell me já fala a linguagem do blusão mais arrastado, tendo um Shuffle clássico na levada que mostra uma pegada que permeia toda a produção da banda. Na terceira faixa, "I feel like a Rolling Stone"a mais comercial de todas é um Rock'n'Roll pesado, com refrão marcante e uma boa levada de batera de Oscar Marinero, também tem uma versão em vídeo deste som já disponível para os fãs da banda, uma montagem bem mais básica e amadora mas que não perde seu brilho tendo imagens em preto e branco em takes de Léo Borges e edição de Rogério Franzini, que também é produtor musical.
A quarta faixa é uma das mais belas canções do disco, uma balada com levada de violão e backings vocais sincronizadíssimos, uma letra linda e que retrata exatamente o que a música se propõe. Muito, mas muito gostosa de se ouvir, tem introdução com slide e entra numa levada misturada de violão com nuances de guitarra e um belo solo de Igor Salles no meio, creio que um dos momentos mais incríveis dos timbres desse disco. A quinta faixa é uma das mais debochadas, baseadas na soul music tem uma levada mais dançante e uma letra bem cômica, "Give me back my Money" também tem ótimos backing vocais e uma excelente performance de bateria de Oscar Marinero, obviamente que o baixo de Franzini também ficou marcante neste arranjo, a cozinha deixa Igor navegar a vontade neste som. Pra fechar o disco a louquíssima "Crazy" que fora uma das primeiras a ser gravada, tem baixo de Igor Salles, bem como guitarra e vocais e batera de Oscar Marinero bem sincada. Diria que é a mais "Zeppiana" das canções, tendo guitarras que em certos momentos lembram os timbres do mestre Jimmy Page em "Dancing Days" e o vocal mais alto e difícil desta produção.
Enfim trata-se de um disco muito, mas muito interessante em se comprar, ter, guardar, ouvir, enfim, é um clássico Curitibano que poucas bandas conseguiram alcançar a nível de produção. Esse é um disco para ser ouvido no talo, em caixas de bons graves ou fones pesados carregados não de volume só, mas de boa equalização também, para sentir um peso quase de vinil em um compact disc. Não se contente em ouvir em celulares ou computadores, tenha o CD ou baixe nas plataformas digitais, ou mesmo coloque nas suas playlists, pois com certeza quando tocar, todos vão perguntar – Que som é esse?
Enfim, 2021 está nos aguardando e nosso som está sendo descoberto por novos fãs e redescoberto por antigos fãs com a chancela de que "evoluimos e achamos nosso novo caminho" completa Oscar Marinero, baterista e membro fundador após quase 30 anos de banda. A banda lançou seu disco (EP) pelo selo próprio Monkey Records e com distribuição e produção executiva da Franzini Records que tem uma estrutura de venda e de shows e eventos.
SEPTON CLASSICS É:
Igor Moraes Salles - Guitarrista e vocalista, natural de Rio Grande - RS
Rogério Franzini - Baixista e backing vocal, natural de São Paulo - SP
Oscar Marinero - Baterista e Backing vocal, natural de El Salvador
Todos radicados em Curitiba e músicos vividos da noite Paranaense, Catarinense e Rio Grandense;
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