O comportamento dos metaleiros que faz o metal diminuir, segundo Jimmy London
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de maio de 2026
O vocalista Jimmy London, conhecido pelo trabalho no Matanza, disse em entrevista ao Lado A Podcast que o heavy metal enfrenta um problema de renovação. Para ele, parte da cena se acomodou em fórmulas antigas e passou a repetir os mesmos sons, imagens e códigos visuais, sem abrir espaço para novas influências.
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"Eu acho que o metal não vem se reinventando", afirmou. Segundo Jimmy, o gênero segue "continuando, continuando, fazendo o que sempre fez". Para ele, quando uma linguagem passa muito tempo repetindo os mesmos elementos, chega uma hora em que perde força. "Como qualquer outra coisa que passa muito tempo cozinhando ali, uma determinada hora dá uma azedada."
O cantor disse ter dificuldade com bandas que insistem no mesmo estilo de arte, nas mesmas capas e no mesmo imaginário visual. "Chega uma hora que fala: 'Pô, irmão, não vai nem mudar a diagramação da capa?' Só tira um logotipo de banda e bota o outro, e continua a mesma caveira, o mesmo esquema."
O metal tem futuro?
Jimmy fez a crítica com ironia. "Do alto aqui da minha falta de relevância no mundo, digo que eu acho isso meio enjoativo", afirmou. Mas explicou que o incômodo não é apenas estético. Para ele, a música também precisa respirar outros ares para continuar mexendo com o público.
O vocalista apontou outro problema: o metal teria se tornado um "clubinho muito fechado" e "muito autorreferente". Segundo ele, a cena às vezes dá importância exagerada a pequenas situações internas, como gestos de palco ou supostas indiretas entre músicos. "Você viu aquele dia que o cara durante o show botou a mão no ouvido? Acho que ele quis dar uma mensagem", ironizou.
Para Jimmy, esse comportamento faz sentido para quem já está dentro do grupo, mas afasta quem está fora. "Abrir a janela um pouco, né, cara? Entender que tem uma porrada de coisa lá fora, deixar entrar uns outros ares talvez", disse.
O cantor também afirmou que esse "clubinho dos camisa preta" está diminuindo. Por isso, se os fãs e músicos querem que o metal continue relevante, precisam aceitar alguma mudança. "Se a galera realmente gosta muito do clubinho e quer fazer com que ele perdure, tem que deixar entrar um arzinho."
Na avaliação dele, o risco é a cena se fechar até desaparecer. "Senão tudo bem, irmão. Nosso clubinho é esse daqui. E quando morreu o último, acabou o clubinho. Estão no caminho certo."
Questionado se o nu metal teria sido a última grande mudança estrutural no heavy metal, Jimmy não concordou totalmente. Ele disse que não necessariamente gosta de tudo, mas vê movimentos posteriores, como os math metals, levando o gênero para caminhos interessantes.
Como exemplo positivo, citou o Gojira. Para Jimmy, a banda francesa funciona porque bebe em várias fontes e não se prende a uma fórmula. "Eu gosto do Gojira porque acho que é uma banda que faz coisa de todos os jeitos, bebe de várias fontes diferentes."
Ele destacou que o Gojira pode ser lido de várias formas: como thrash, como uma banda com repetições hipnóticas, sem muitos solos de guitarra e com arranjos próprios. "É muito original, não tem uma formuleta fechada ali", afirmou.
Para Jimmy London, esse é o caminho que mantém o metal vivo: menos apego a códigos antigos e mais coragem para misturar referências. O problema, segundo ele, não é o peso. É repetir para sempre a mesma caveira, o mesmo som e a mesma conversa de bastidor.
Confira a entrevista completa abaixo.
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