O dia em que Nuno Bettencourt levou um beijo na boca de Eddie Van Halen e travou
Por Bruce William
Postado em 01 de maio de 2026
Encontrar um ídolo já costuma ser constrangedor por natureza. Encontrar Eddie Van Halen, ser chamado para tocar no equipamento dele e ainda perceber que o sujeito tinha lido uma entrevista sua deve ter elevado a vergonha a outro patamar. Foi isso que Nuno Bettencourt relembrou em conversa com a SiriusXM, retomada pela Guitar Player, ao falar do dia em que conheceu Eddie em Los Angeles, pouco depois do Extreme terminar as gravações de "Pornograffitti".

Segundo Nuno, ele estava na cidade produzindo o álbum "Confessions", de Dweezil Zappa, quando os dois passaram pelo CenterStaging e deram de cara com o Van Halen ensaiando. Eddie viu Nuno, parou tudo e veio cumprimentá-lo de um jeito que ele claramente não esperava. "Tirando Elton John, ele é o único guitarrista ou músico que já me beijou na boca", contou. Depois, Nuno ainda brincou que achou que era especial, até descobrir que Eddie também tinha feito isso com Kurt Cobain e outras pessoas, como um cumprimento meio espalhafatoso.
Passado o susto inicial, veio a parte pior: ouvir o próprio Van Halen tocando ali, na sua frente, e pensar como seria encostar naquele som. Nuno disse que, como guitarrista, só conseguia pensar: "Está aí. Aquele timbre." Ele conta que, durante as gravações de "Pornograffitti", usou os dois primeiros discos do Van Halen como referência para buscar o som de guitarra. Então, quando Eddie lhe disse para pegar sua guitarra e tocar em seu equipamento, o cenário passou do sonho para o pesadelo.
Nuno lembrou que Eddie colocou a guitarra nele, se ajoelhou diante do pedalboard para mexer em um pedal e, enquanto isso, ele travou e só conseguia se perguntar qual seria a primeira coisa a tocar na frente do homem que redefiniu a guitarra de rock para tanta gente. "Eu fiquei em pânico", admitiu. Para não improvisar e correr o risco de se estatelar, resolveu tocar o solo de "Get the Funk Out", do Extreme.
Foi aí que aconteceu o detalhe mais engraçado da história. Quando Nuno chegou na parte do tapping, Eddie se virou e o interrompeu: "Nada dessas bobagens aqui!" O próprio Nuno explicou que tinha dito recentemente em uma entrevista que se sentia meio ridículo quando fazia tapping, justamente porque aquela técnica era "tão Eddie" que parecia impossível usá-la sem soar como cópia. Eddie, ao que tudo indica, tinha lido aquilo e não perdeu a chance de devolver a provocação na hora certa.
A história porque mostra duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, o tamanho que Eddie tinha na cabeça de guitarristas da geração seguinte, como Nuno Bettencourt. Segundo, o senso de humor que ele levava para esse tipo de encontro. Em vez de posar como divindade intocável, chamou o fã para tocar, deu um beijo na boca como cumprimento e ainda o cortou no tapping com uma frase que parecia ensaiada havia dias. Para quem estava do outro lado, deve ter sido um misto de sonho realizado e ataque de nervos. Para quem lê nos dias de hoje, fica aí mais uma lembrança de como Eddie Van Halen conseguia ser gigante, ao mesmo tempo que não passva vontade de brincar com a própria lenda.
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