John Dolmayan: ele diz estar em "lista negra" de Hollywood por ser de direita
Por Igor Miranda
Postado em 03 de fevereiro de 2021
O baterista John Dolmayan, do System of a Down, tem chamado atenção nas redes sociais por compartilhar algumas de suas opiniões sobre política nos últimos tempos. O músico não costumava se posicionar tanto, mas adotou uma postura diferente, em especial, após Donald Trump ter sido eleito presidente dos Estados Unidos.
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Os posts de Dolmayan passaram a causar debate nas redes sociais, especialmente porque as opiniões do músico parecem ser diferentes das que são expressas nas músicas do System of a Down. Há, ainda, alguns comentários de tom mais controverso feito pelo baterista, que chegou a endossar teorias da conspiração ao abordar a pandemia do novo coronavírus.
Em entrevista ao podcast "Cancelled with Rob Rosen and Desma Simon", que conversa com personalidades "canceladas" pelo público, o músico revelou acreditar que seu nome foi incluído em uma espécie de "lista negra" de Hollywood, cidade americana famosa por sua produção cinematográfica, devido às suas opiniões consideradas "de direita". A transcrição das falas foi realizada pelo Consequence of Sound.
John Dolmayan chegou a essa conclusão porque, segundo ele, nenhum estúdio de Hollywood mostrou interesse em adaptar sua saga de histórias em quadrinhos "Ascencia" em um filme ou série de TV. O baterista ainda associou essa suposta ação contra ele como uma espécie de novo "macarthismo", que retrata um período onde o governo dos Estados Unidos adotava uma política de repressão contra o comunismo.
"Fui vítima disso (de 'cancelamento'). Vamos dizer que 'Ascencia' poderia facilmente se tornar um filme ou série de TV e eu tinha uma agência trabalhando nisso comigo. E essa agência teve que pular fora. Já fui vítima disso e não é diferente e não é melhor do que aconteceu nos anos 1950 com o macarthismo. Não acredito em comunismo, nem em socialismo - acredito em programas sociais. Porém, não condeno ninguém, não coloco ninguém na cadeia por suas crenças", afirmou.
Em outra passagem da entrevista, transcrita pela Metal Hammer, ele falou um pouco mais sobre o trabalho com a agência de Hollywood. "A agência com a qual trabalho tem pessoas muito boas, mas eles têm uma companhia maior na qual precisam pensar. Eu não deveria falar sobre isso, mas sempre faço isso comigo mesmo. No fim das contas, podemos acabar trabalhando juntos. Se não, não deu. Mas eu entendo de onde eles vêm. Eles precisam proteger seus interesses", disse.
O músico também fez críticas ao Black Lives Matter, movimento ativista que luta contra a desigualdade racial. Para ele, a organização é "hipócrita" e age como "uma ferramenta de arrecadação de fundos para uma agenda comunista".
"Não gosto da organização Black Lives Matter. Muitos dos fundadores são comunistas. Acho que muita gente pensa diferente do real movimento. Acho que eles não dão a mínima para as vidas negras. Acho que são uma ferramenta de arrecadação de fundos de uma agenda comunista. Se eles ligassem para as vidas negras, eles se preocupariam com a violência contra os negros em nossas cidades de interior", afirmou.
Outros posicionamentos de John Dolmayan
Nos últimos tempos, John Dolmayan tem se manifestado mais sobre assuntos relacionados a política e sociedade nas redes sociais. As posições têm dividido a opinião dos fãs do System of a Down por serem diferentes das que são expressadas nas letras das músicas e das que o vocalista Serj Tankian costuma publicar em seus perfis pessoais.
Em fevereiro de 2020, por exemplo, Dolmayan fez uma postagem criticando Bernie Sanders, então pré-candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos - que era apoiado pelo vocalista Serj Tankian -, e também falou sobre comunismo.
"Cuidado às crianças: gratuito. Assistência médica: gratuita. Universidade: gratuita. F*da-se, se tudo é gratuito e tudo virá dos ricos de qualquer forma, por que trabalhar? [...] Não acredite na doutrinação, nas elites da música e de Hollywood ou que o comunismo disfarçado de social-democracia fará algo além de tirar suas liberdades e deixará todos igualmente destituídos. Venezuela, China, Coreia do Norte, Alemanha nazista, Camboja (Pol Pot), Itália (Mussolini), etc", disse.
Em abril de 2020, durante entrevista ao podcast do Metal Injection, Dolmayan sugeriu que governos teriam criado o novo coronavírus para frear protestos contra suas gestões. Estudos já comprovaram que o vírus não foi criado em laboratório.
"Se há algo positivo para quem está no poder, é que esse vírus se livrou de muitas pessoas que estavam protestando. Eu me questiono, tenho minhas teorias e as pessoas acham que sou idiota por isso, mas tenho uma grande imaginação, Houve protestos em Hong Kong, França, Itália, Líbano, Chile... no mundo todo, pessoas pediam mudanças de seus governantes. É conveniente o fato de haver um coronavírus e todos esses manifestantes desaparecerem", afirmou.
Pelas redes, em junho de 2020, o baterista saiu em defesa de Donald Trump em meio aos protestos contra a violência policial contra os negros, iniciados após a morte de George Floyd, sufocado pelos joelhos de um policial branco.
"Não vamos deixar que a narrativa que está sendo mostrada repetidamente nos faça esquecer a verdade desta afirmação. O presidente mais atacado da história e, ainda assim, o melhor amigo das minorias! Não acredita? Veja as estatísticas. Se não gosta, isso não muda a verdade", disse, sem mencionar quais estatísticas são essas. Trump tem sido criticado justamente por, na visão de parte da população americana, não trabalhar em prol da comunidade negra e latina nos Estados Unidos.
Diante das críticas nas redes sociais, o baterista ironizou os internautas que o chamavam de "racista simpatizante do nazismo" e apontavam que ele estava "gordo se comparado a 2006".
"Sou um 'boomer', então, estou completamente fora de contato com tudo por causa da minha idade, diferentemente de pessoas que eles concordam e que têm a mesma idade que eu, mas são iluminados", afirmou, usando a hashtag #getjohnoutofsoad (algo como "tire John do System of a Down"). "Por favor, por favor, não me tirem da banda. Desculpe por pensar diferente. Vou mudar, vou me conformar, eu prometo", completou, em tom sarcástico.
No mês de julho, John Dolmayan voltou a falar sobre o movimento Black Lives Matter e afirmou que não existe racismo estrutural nos Estados Unidos. "O suposto movimento em prol das vidas negras nunca teve legitimidade na minha visão e sempre foi uma ferramenta de propaganda e de arrecadação de dinheiro do Partido Democrata. Juntamente do antifa, eles se mostraram inimigos do povo e adotaram a ilegalidade com apoio de uma mídia sensacionalista e das elites idiotas de Hollywood. Eles serão julgados, mas quando? Quantos outros inocentes precisam ser mortos antes?, disse, na ocasião.
Nesta ocasião, um internauta questionou a postagem do baterista, apontando que ele nunca se manifesta sobre casos de injustiça racial, e afirmou que "o racismo estrutural nos Estados Unidos é um jogo perigoso". Dolmayan, então, respondeu: "Não existe racismo estrutural nos Estados Unidos. Cite um exemplo".
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