Bruce Dickinson te enganou em shows do Iron Maiden no Brasil em 2019 e você nem percebeu
Por Igor Miranda
Postado em 02 de agosto de 2021
O Iron Maiden fez shows apoteóticos no Brasil em 2019. Foram realizadas três apresentações, de sua turnê "Legacy of the Beast", em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro - na Cidade Maravilhosa, inclusive, a performance rolou no festival Rock in Rio e foi transmitida, em vídeo, para todo o mundo.
Com justiça, a banda acabou sendo muito elogiada por esses shows, com destaque ao vocalista Bruce Dickinson, que, então com 61 anos e um câncer devidamente superado, impressionou com sua performance enérgica. Ele não só estava cantando muito bem, como, também, movimentava-se por todo o palco, com trocas de figurino e interação com elementos teatrais.
Tudo isso acaba de ficar ainda mais impressionante, agora, devido a uma informação revelada pelo próprio. Em recente entrevista à revista Kerrang, o vocalista contou que estava com problemas físicos durante aqueles shows - e deu um jeito de "enganar" o público com relação a isso, já que ninguém percebeu nada de diferente com ele.
Inicialmente, ele contou que gravou as duas ultimas músicas de "Senjutsu", novo álbum do Iron Maiden, com a perna imobilizada. Ele havia acabado de lesionar o tendão de Aquiles e precisou passar por uma cirurgia na época em que o disco estava sendo registrado, em meados de 2019.
"Gravei as duas últimas músicas de 'Senjutsu' usando muletas, com uma daquelas botas grandes que você tem que usar para imobilizar sua perna. Machuquei no final de abril. Trinta e seis horas depois, eu estava tendo a perna costurada. E então, 24 horas após a operação, eu estava no estúdio, cantando, com minha perna do tamanho de uma p*rra de um balão", afirmou.
Dickinson destacou que sua perna ficou imobilizada com a bota durante um mês. Depois, ele passou por duas semanas de reabilitação e precisou de quatro meses para, segundo ele, "aprender a andar novamente".
O problema é que a agenda de turnê do Iron Maiden não permitiria que ele tivesse esses quatro meses. Em julho daquele ano, a banda voltou à estrada para uma turnê pela América do Norte, com quase 40 shows até o fim de setembro. Depois, em outubro, veio a turnê pela América do Sul, com três apresentações no Brasil, uma na Argentina e duas no Chile.
Foi necessário, então, jogar com as cartas que tinha. Bruce locomovia-se pelos palcos de forma menos convencional, adaptando-se para cada ocasião - e fazendo de uma forma que ninguém notasse o problema.
"Aquela turnê pela América do Norte e América do Sul, todos aqueles grandes shows, eu não conseguia andar direito, então eu apenas fingia. Ninguém percebeu", afirmou o vocalista.
Por fim, ele explicou como "fingia" movimentar-se normalmente pelo palco. "Eu estava correndo, mas corria de forma diferente. Aprendi a me mover sem usar os músculos da panturrilha, o que é difícil, mas eu não conseguia fazer nada convencional. Então, eu não conseguia pular e não conseguia correr. Andar rápido era um problema. Mas se você andasse como um caranguejo, estava tudo bem", pontuou.
Percalços à parte, o Maiden concluiu a turnê, sem grandes problemas, justamente na América do Sul. A ideia era voltar à estrada em 2020, em uma nova etapa da tour "Legacy of the Beast" pela Europa, mas a pandemia do novo coronavírus fez com que a banda adiasse seus shows - inicialmente, para 2021; depois, 2022.
Como o novo álbum, "Senjutsu", será lançado no próximo mês de setembro, tudo indica que a turnê mesclará o conceito da "Legacy of the Beast" com músicas inéditas. Resta esperar.
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