O pior disco de David Bowie segundo ele próprio: "Aquele álbum foi horrível"
Por André Garcia
Postado em 31 de maio de 2022
Fazendo justiça à alcunha de Camaleão do Rock, David Bowie foi expoente máximo do glam rock, se jogou no funk/soul/R&B, mergulhou na música experimental/eletrônica/avant-garde, e ainda embarcou na new wave — tudo isso apenas na década de 70!
No entanto, foi em 1983, com "Let's Dance", que ele atingiu o estrelato global, dessa vez como um astro do pop dançante. Ao conquistar as massas, ele ficou sem saber como lidar com aquilo. Isso ficou visível em seus trabalhos seguintes: "Tonight" (1984) e "Never Let Me Down" (1987) — esse segundo, de acordo com ele próprio, foi o fundo do poço.
Conforme publicado pela Far Out Magazine, em entrevista para a Rolling Stone em 1995, David Bowie refletiu sobre aquele período de sua carreira:
"[O grande público] não significava absolutamente nada para mim. Aquilo não me fazia bem. Eu me sentia insatisfeito com tudo que eu estava fazendo, e uma hora aquilo começou a ficar evidente em meu trabalho. 'Let's Dance' foi um excelente trabalho em um certo gênero, mas nos dois que vieram depois ['Tonight' e 'Never Let Me Down'] mostraram que minha falta de interesse em meu próprio trabalho estava realmente transparecendo. Meu fundo do poço foi 'Never Let Me Down'. Aquele álbum foi horrível."
"Eu estou numa posição agora onde não sou muito crítico comigo mesmo. Eu lanço o que eu produzo, quer seja em artes plásticas ou na música, porque eu sei que tudo que estou fazendo é sincero. [Então] mesmo se for um fracasso artístico, não me incomoda como 'Never Let Me Down' me incomoda. Eu não deveria nem ter me dado ao trabalho de ter ido ao estúdio gravar aquilo [risos]!"
Segundo a Ultimate Classic Rock, em 2008 David Bowie lançou a coletânea "iSelect", que incluiu uma versão de "Time Will Crawl" (do "Never Let me Down") radicalmente remixada, com uma sonoridade bem diferente do álbum. Compare a versão antiga e a nova abaixo:
Satisfeito com o resultado, David Bowie chegou a planejar regravar todo o álbum, mas foi apenas dois anos após sua morte, em 2018, que seu desejo foi realizado. Coube ao produtor Mario McNulty remixar totalmente o disco e o lançar a nova versão como "Never Let me Down 2018".
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