Cobrindo 30 anos da carreira do icônico Judas Priest, segundo livro faz jus a história da banda
Por Mário Pescada
Postado em 29 de dezembro de 2024
O Judas Priest dispensa qualquer tipo de apresentação para quem gosta de metal, independente da ramificação. Em seus mais de 50 anos de estrada, os ingleses da então industrial e enfumaçada Birmingham, lançaram discos influentes que atravessaram décadas, definiram o visual do heavy metal com suas roupas de couro e tachinhas e se mantiveram relevantes até hoje.
Um grupo que passou por muitas histórias, muitos altos e alguns baixos, é verdade, e que teve uma cobertura esmiuçada de todo esse período pelo jornalista/crítico musical Martin Popoff em dois ótimos livros ambos lançados no Brasil pela Editora Denfire: primeiro, com "Judas Priest: Decade Of Domination" (2020), que cobriu os primórdios do grupo até seu décimo disco de estúdio, "Defenders Of The Faith" (1984) e agora com "Judas Priest: Do Turbo Em Diante" (2024), que vai do não muito amado "Turbo" (1986) até o ovacionado "Firepower" (2018).

Nesse segundo volume temos mais de 30 anos revisitados e, assim como no primeiro livro, não são "apenas" os discos de estúdios, não! Além dos nove álbuns de estúdio lançados entre 1986-2018, Popoff ainda passou pelos cinco discos ao vivo lançados nesse período, compilações, relançamentos e os trabalhos lançados fora do Judas Priest, incluindo aí a carreira solo de Glenn Tipton, o interessante Fight, o melhor esquecer Two e o sólido Halford, o melhor dos três "por fora".
Nos 18 capítulos do livro, Popoff revisita o que Judas Priest estava vivendo em cada fase, através da recuperação de entrevistas para revistas, jornais ou dos protagonistas Rob Halford, Glen Tipton, K.K. Downing, Ian Hill, Scott Travis, Tim "Ripper" Owens, Richie Faulkner para ele mesmo, além dos produtores Tom Allom, Chris Tsangarides e Roy Z e de testemunhos de músicos como Marty Friedman e Lemmy Kilmister.
Abordando também a visão dessas mesmas pessoas sobre o passado, temos um empolgado Rob Halford com o futuro promissor que o Two erroneamente apontava dizer que o "metal estava morto" se retratando anos depois: "Você sabe, todo mundo tem a liberdade de ser estúpido e eu fui completamente estúpido naquele dia. Fiz as pazes nos últimos anos sobre ter proferido esse comentário ridículo". Ou mesmo um pra lá de confiante Glenn Tipton com a chegada do então promissor Tim "Ripper" Owens que chegou a cravar "Eu realmente acho que a melhor coisa que aconteceu com o Judas Priest agora foi Rob ter deixado a banda... Temos sangue fresco em um cara que é bom, se não melhor que Rob".
As particularidades de cada disco por si só já seriam interessantes, mas os bastidores, tratados de forma séria, não como fofoca, acabam prendendo nossa atenção. Popoff descreve e esclarece de uma vez por todas, o que levou as saídas do obsoleto Dave Holland para a entrada da máquina Scott Travis, do frustado Rob Halford para a chegada do desconhecido Tim "Ripper" Owens que ficou no posto por apenas dois discos (o bom "Jugulator", 1997 e o pouco inspirado "Demolition", 2001) e da saída de K.K. Downing para a chegada do igualmente talentosíssimo Richie Faulkner, entre muitos outros temas.
Enfim, o que não falta, como de costume nos livros de Popoff, é um texto bem construído, muitas curiosidades (sim, "Ram It Down" (1988), além de marcar a saída de Dave Holland, foi feito com o uso de bateria programada) e sua opinião pessoal e imparcial sobre cada disco, incluindo aí uma análise faixa a faixa de cada um deles.
Ilustrando tudo isso, há ainda muitas fotos coloridas de shows, credenciais, pôsteres, de lançamentos limitados, singles, etc. Todo esse material fez com que o livro atingisse 250 páginas, quase 50 páginas a mais que seu antecessor!
"Judas Priest: Do Turbo Em Diante" (2024) tem recheio de papel couchè 115g de alta qualidade. Acompanha ainda um adesivo com a capa do seminal "Painkiller" (1990) e um cartão postal referente a "Epitaph Tour".
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