O single do Depeche Mode banido da BBC nos anos 80 por falar de suicídio e questionar Deus
Por André Garcia
Postado em 29 de dezembro de 2024
No começo dos anos 80 o Depeche Mode surgiu na Inglaterra como um dos pioneiros do synthpop — muito inspirado pelo som feito pelo Kraftwerk, especialmente no "The Man Machine" (1978) e "Computer World" (1981).
"The Man Machine" e "Computer World", aliás, são dois álbuns que recomendo fortemente a qualquer um que curta (pelo menos um pouquinho) música eletrônica. Ou que curtia, lá nos longínquos anos 90, as trilhas sonoras dos jogos de Super Nintendo e Mega Drive.

Com o passar do tempo, entretanto, o Depeche Mode foi ficando cada vez menos pop, colorido e animado, passando para algo mais sombrio e gótico (embora ainda dançante). Essa tendência, que culminou no "Violator" (1990) teve início em 1984 com o "Some Great Reward".
Até em termos líricos "Some Great Reward" marcou uma guinada. O melhor exemplo disso é a 9ª e última faixa do disco, "Blasphemous Rumours", cuja letra já começa falando do suicídio de uma adolescente, e no refrão questiona a Deus por coisas assim acontecerem:
"Eu não quero começar com rumores blasfemos, mas Deus para mim tem um senso de humor doentio — e quando eu morrer creio que vou encontrar Ele rindo."
Não precisa nem dizer que essa música não pegou nada bem entre os conservadores e religiosos na Inglaterra, né? Tanto que ela, lançada em single junto com a balada "Somebody", foi banida pela BBC — então a maior (e praticamente única) rádio da Inglaterra.
Conforme publicado pela Far Out Magazine, naquele mesmo ano o vocalista Dave Gahan (co-autor da controversa faixa) declarou à revista belga Joepie:
"[A BBC ter banido 'Blasphemous Rumours' foi uma] baita atitude conservadora, né? Essa é a nossa rádio… Aliás, eu não sou antirreligioso de jeito nenhum! Só me oponho a um certo tipo de religião, que me foi imposta quando eu era pequeno. Como minha mãe era do Exército da Salvação, ela me fazia ir para a igreja todo domingo até meu aniversário de 18 anos."
"A música só diz para ninguém deixar que alguém imponha algo a você: quer seja na política ou em qualquer outra coisa. Não importa. Você tem que decidir por si mesmo o que quer fazer com sua vida, e ousar correr riscos. Foi isso que o Depeche Mode fez… e as coisas acabaram muito bem para a gente, não é mesmo?"
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