O clássico noventista do Depeche Mode que Bono confessou que gostaria de ter composto
Por André Garcia
Postado em 13 de março de 2025
Ao longo dos anos 80, U2 e Depeche Mode tinham pouco em comum, mas no começo dos anos 90 ambas as bandas deram uma guinada semelhante para a música eletrônica em busca de novos ares.
Ambos escolheram ignorar o grunge para se antecipar às tendências e investir num rock repleto de modernos elementos eletrônicos, como fariam anos depois David Bowie, Radiohead e Smashing Pumpkins.
Se com "Achtung Baby" (1991) o U2 abandonou seu pretensioso pop messiânico de estádios; com o "Songs of Faith and Devotion" (1993) o Depeche Mode abandonou seu synthpop gótico trevoso. Não foi por acaso que o segundo foi produzido por Flood, que assistiu Brian Eno na produção do primeiro.

Em termos de parada de sucesso o "Songs of Faith and Devotion" foi o maior álbum da discografia do Depeche Mode por ter sido o único a conseguir o feito de chegar ao topo das paradas tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos.
Conforme publicado pela Far Out Magazine, em entrevista para a BBC Radio 2 o vocalista Dave Gahan relembrou a reação de Bono a um dos maiores destaques do álbum, seu segundo single "Walking in My Shoes":
"A gente saiu da sala de ensaio e Bono estava no corredor, ouvindo a música, e depois conversamos um pouco sobre ela. Ele me disse que era uma daquelas músicas que ele gostaria de ter escrito."
"Walking in My Shoes", se você reparar, tem em seu refrão uma melodia vocal que não é difícil de imaginar Bono cantando. E a letra é repleta de citações bíblicas — algo que agradava ao U2 fazer, mas que na fase "Achtung Baby" foi algo que eles evitaram.
Conforme publicado pela Far Out Magazine, Bono confessou:
"Eu sei que foi você [Noel Gallagher] que escreveu essa música, mas ela pertence a mim — na verdade, não só a mim, pertence a nós [U2] (ou a qualquer pessoa que já esteve em uma banda). Não importa o que digam, essa música é sobre estar em uma banda. E [estar em uma banda] é um 'nós contra o mundo', um tipo muito peculiar de 'eu contra o mundo'."
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