Por que Andreas Kisser não gosta de artistas que dão palestras sobre mercado da música?
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de fevereiro de 2025
O mundo da música é repleto de histórias bizarras no âmbito empresarial. Desde contratos assinados sem total compreensão até turnês que exigem improviso, a trajetória de uma banda dificilmente segue um roteiro previsível. Para Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, essa imprevisibilidade é o que torna estranho ver músicos ministrando palestras sobre o mercado musical.
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"Cada trajeto é único", afirma o guitarrista em entrevista ao Corredor 5. Segundo ele, não há uma fórmula fixa para o sucesso, e cada banda desenvolve sua própria relação com o mercado. "Já trabalhei com Anthrax, Metallica, bandas menores e, claro, com a maior de todas, o Sepultura. Também tive contato com outros estilos, como Paralamas do Sucesso e Titãs. Cada grupo tem sua visão sobre o negócio, e isso demonstra a criatividade individual de cada um", explica.
O próprio Sepultura viveu isso na pele ao assinar seu primeiro grande contrato com a Roadrunner Records, em 1988. "O Max Cavalera conseguiu ir para os EUA quando assinamos o contrato. Ele obteve uma passagem para Nova York – não lembro os detalhes, mas passou dois dias na cidade – e deixou, nas mãos de pessoas-chave da gravadora, o projeto Esquizofrenia, que havíamos desenvolvido com a Cogumelo Independente", relembra.
O contrato, segundo Kisser, era extenso e desfavorável. "Eram cerca de 500 páginas, que depois, traduzidas para o português, viraram 600. O acordo previa oito discos, algo absurdo, e não pensávamos em ganho algum no início", diz. Apesar disso, a assinatura do contrato foi essencial para colocar a banda no mapa.
Para Kisser, a ideia de que um músico pode ensinar outros a gerenciar suas carreiras em palestras ou cursos é ilusória. "O que vem pronto, pronto não é bom", diz, ressaltando que o aprendizado real vem da vivência. "Não existe um modelo industrializado para organizar turnês ou gerenciar carreiras musicais. Em 1988, por exemplo, não havia aplicativos para planejar turnês na Europa. Mesmo com os recursos atuais, o aprendizado vem da prática."
Ele também destaca a importância da adaptação cultural. "Mesmo tendo aprendido inglês na escola, foi na estrada que realmente começamos a dominar a língua. Em países como a Alemanha, onde muitos falam um inglês limitado, você precisa criar sua própria forma de comunicação para fazer as coisas acontecerem", exemplifica.
O guitarrista reforça que a experiência real é insubstituível. "Tocar em uma sala de ensaio em Belo Horizonte é muito diferente de estar num palco em Viena, no seu primeiro show internacional. O peso e a responsabilidade são únicos", conclui. Para Kisser, o mercado musical não pode ser ensinado em salas de aula ou palestras. "Você precisa ir ao campo, enfrentar problemas, encontrar soluções. Isso não se aprende na escola", finaliza.
Confira a entrevista abaixo.
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