O respeitadíssimo gênero musical que John Lennon odiava; "música de merda"
Por Bruce William
Postado em 24 de março de 2025
John Lennon nunca escondeu sua preferência por música crua, direta e com atitude. Mesmo com os Beatles explorando arranjos sofisticados e harmonias ousadas, o ex-garoto de Liverpool sempre manteve uma certa resistência a estilos que considerava pretensiosos ou distantes da realidade popular.
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Durante os primeiros anos da banda, em Hamburgo, Lennon e seus colegas tocavam de tudo: rock, soul, R&B e até canções obscuras do lado B de artistas americanos. Mas havia um estilo em particular que eles evitavam completamente - não apenas por gosto, mas também por questão de postura, relembra a Far Out.
"É música de merda, ainda mais estúpida que o rock and roll", disparou Lennon certa vez, referindo-se ao jazz. Segundo ele, "o jazz nunca chega a lugar nenhum, nunca faz nada, é sempre a mesma coisa, e tudo que eles fazem é beber cerveja". A crítica era tão direta quanto típica do músico, que também se ressentia do fato de os Beatles, no início da carreira, serem recusados por casas noturnas que só aceitavam bandas de jazz.
A implicância, no entanto, não impediu os Beatles de absorverem alguns elementos do estilo. A harmonia sofisticada que aparece em canções como "Michelle" ou nas modulações inesperadas de "It Won’t Be Long" revela que, mesmo sem admitir, Lennon e McCartney se aproveitaram do vocabulário jazzístico em diversos momentos.
Para Lennon, a birra ia além das notas. O jazz, na sua visão, representava uma postura elitista e antiquada, ligada a um tipo de entretenimento que ele e os Beatles vinham justamente para desafiar. Era a música "respeitável" dos clubes que não os aceitavam, das festas com smoking, do público que ainda não entendia o impacto de um acorde sujo bem colocado.
Mesmo com essa oposição declarada, o jazz seguiu influenciando a música pop em diferentes formas - e até no repertório dos próprios Beatles. Mas a aversão de Lennon, tão passional quanto suas composições, ajuda a entender a visão crítica e provocadora que ele sempre teve em relação à tradição.
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