O guitarrista que Jack Bruce achava mais empolgante do que Eric Clapton
Por Bruce William
Postado em 10 de abril de 2025
Apesar de uma carreira extensa e variada, Jack Bruce é mais lembrado pelo tempo que passou ao lado de Eric Clapton e Ginger Baker no Cream. "O que fizemos no Cream foi pegar nossas raízes no jazz e aplicar a uma espécie de rock, criando uma nova música", contou à Bass Player em 2004 (via Guitar World). "Os três desenvolvemos um estilo, mas a química real era entre eu e Ginger. Era, na verdade, uma banda de jazz - só não contamos para o Eric que ele era o Ornette Coleman!"
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Após o fim do Cream, Bruce lançou álbuns solo, tocou com a banda de Ringo Starr e, em 1993, se uniu novamente a Ginger Baker, dessa vez com o guitarrista Gary Moore, formando o power trio BBM. A relação entre Bruce e Baker continuava conturbada, mas havia admiração mútua. "Acho que Jack realmente admira o Ginger, e o Ginger sabe disso, então nunca vai dizer que ele é bom", comentou Moore à Louder em 2017. "Eles são como dois irmãos se provocando o tempo todo."
Bruce era especialmente entusiasmado com o trabalho ao lado de Gary Moore. "Um dos melhores grupos dos quais tive a sorte de fazer parte foi o BBM", afirmou. "Adoro o jeito como o Gary toca. Sempre adorei. Pra mim, ele é um guitarrista mais empolgante do que o Eric. Eric é um grande músico, mas o Gary tem uma paixão no jeito de tocar que te contagia."
O próprio Gary Moore via Bruce como um ídolo e reconhecia que trabalhar com ele o libertou artisticamente. "Ele me fez voltar a escrever músicas melódicas de novo", disse à revista FUZZ em 1996. "Ele realmente me incentivou a ser mais livre com minha música, mais experimental."
Apesar do sucesso do álbum e de alguns shows memoráveis, o BBM teve vida curta. Parte disso se deveu às comparações com o Cream e, especialmente, entre Moore e Clapton. "Foi o mesmo problema de antes", explicou Bruce. "As pessoas diziam coisas como 'Gary não é o Eric Clapton', o que é óbvio. Ele é ele mesmo e, pra mim, mais empolgante. O Ginger também estava tocando muito bem. Alguns dos poucos shows que fizemos foram fantásticos."
As comparações acabaram prejudicando a continuidade da banda, mas Jack Bruce nunca escondeu o quanto se sentia inspirado por Gary Moore, um guitarrista que, mesmo cercado por nomes lendários, conseguia brilhar com intensidade própria.
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