A música do King Crimson que zomba do fim dos Beatles, mas quase ninguém percebe
Por Bruce William
Postado em 22 de maio de 2025
O disco "Lizard", lançado pelo King Crimson em dezembro de 1970, é conhecido por ser o mais experimental da fase inicial da banda. Mas escondido entre letras enigmáticas e estruturas jazzísticas, há um ataque velado — e cômico — à banda mais famosa do planeta. A faixa "Happy Family", escrita por Peter Sinfield, é considerada por muitos como uma paródia sobre o fim dos Beatles.
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A letra é quase impenetrável à primeira vista, cheia de trocadilhos e nomes inventados. Mas o trecho final entrega algumas pistas. "Silas searching, Rufus neat, Jonah caustic, Jude so sweet" ("Silas procurando, Rufus elegante, Jonah cáustico, Jude tão doce") sugere retratos fictícios dos quatro ex-integrantes: George Harrison seria Silas, Ringo Starr vira Rufus, John Lennon aparece como Jonah, e Paul McCartney como Jude.
Outros versos ajudam a completar o quadro. "Nasty Jonah grew a wife" ("O desagradável Jonah arrumou uma esposa") parece apontar diretamente para John e Yoko Ono. Já "Brother Judas, ash and sack" ("Irmão Judas, cinza e saco de estopa") aponta para Paul, e o apelido "Jude" talvez tenha sido escolhido tanto pela música "Hey Jude" quanto pela percepção, na época, de que ele foi o responsável pela separação do grupo.
A repetição do refrão "Happy family, one hand clap, four went on but none came back" (Família feliz, uma palma com uma mão, quatro seguiram, mas nenhum voltou) funciona como síntese de tudo: os quatro seguiram em frente, mas nada voltou a ser como antes. É uma forma sarcástica de dizer que, apesar da separação, nenhum deles saiu inteiro da experiência de ter sido um Beatle.

A capa do álbum, feita por Gini Barris, ainda traz uma ilustração com os Beatles em um canto — como se fossem só mais uma peça num tabuleiro medieval, prestes a serem descartados. Em 1970, ano em que Paul anunciou publicamente que nunca mais trabalharia com os outros três, a mensagem era clara para quem quisesse decifrar.
Ao longo dos anos, o próprio Peter Sinfield jamais negou que a música fosse sobre os Beatles, embora tenha mantido o tom de brincadeira. "Foi uma piada interna, mas meio cruel", disse ele em entrevistas posteriores. O estilo rebuscado da letra acabou afastando interpretações imediatas, o que manteve a faixa como um segredo para fãs mais atentos.
No fim das contas, "Happy Family" virou uma espécie de crônica psicodélica do fim do maior grupo de rock da história — escrita não por um historiador, mas por um letrista ácido que resolveu satirizar a implosão pública de uma banda que já não era mais feliz há muito tempo.
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