A música que Bob Dylan não lembra de ter escrito; "Foi como se um fantasma tivesse feito"
Por Bruce William
Postado em 02 de maio de 2025
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Ao refletir sobre a própria obra, Bob Dylan costuma atribuir parte de seu processo criativo a uma força que vai além de si mesmo. Em várias entrevistas, ele já deu a entender que algumas de suas canções simplesmente vieram "do nada", relata a Far Out. Sobre esse mistério, ele comentou certa vez: "Você nunca sabe de onde uma música vem". Em seguida, citou o compositor Hoagy Carmichael: "Talvez eu nem tenha escrito. A lembrança de como, quando e onde aquilo aconteceu foi ficando vaga, enquanto os últimos acordes ainda ecoavam no estúdio".

Dylan respondeu a essa ideia dizendo: "Talvez eu não tenha te escrito, mas eu te encontrei", e completou: "Eu sei exatamente o que ele quis dizer". Esse sentimento aparece sempre que Dylan tenta explicar suas composições mais enigmáticas. Em entrevista à CBS, ele admitiu: "Eu não sei como escrevi aquelas músicas. As primeiras foram quase escritas como por mágica".
Entre tantas, ele destaca "It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)", lançada em 1965, como uma das que mais o impressionam até hoje. O trecho inicial, segundo ele, não poderia ter sido feito de forma racional: "Tente sentar e escrever algo assim. Aquilo tem magia. E não é mágica estilo Siegfried & Roy — é outro tipo de magia, mais profunda". A letra começa com os versos: "A escuridão no meio-dia / Apaga até a colher de prata / A lâmina feita à mão, o balão de criança / Eclipsam o sol e a lua".
Ele voltou a esse tema ao comentar o disco "Oh Mercy", de 1989. Apesar de considerar um ótimo álbum, disse que já não conseguia acessar a mesma profundidade espiritual de músicas como "Masters of War" e "Gates of Eden". "Você precisa ter domínio sobre os espíritos. Eu tive isso uma vez, e uma vez foi suficiente", afirmou.
Sobre "Like a Rolling Stone", escrita durante uma madrugada, Dylan contou que começou a escrever compulsivamente e, quando percebeu, já havia dez páginas preenchidas. "Não tinha nome. Era só um ritmo no papel, movido por ódio honesto. No fim, não era mais ódio — era como dizer a alguém algo que ela não sabia, mostrar que ela era sortuda. Vingança, essa é a palavra certa", disse à Saturday Evening Post.
Em outra entrevista, resumiu tudo de forma ainda mais enigmática: "É como se um fantasma estivesse escrevendo aquela música. Ele te dá a canção e vai embora. Você não sabe o que ela significa. Só sabe que o fantasma escolheu você para escrevê-la".
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