O melhor cantor de baladas de todos os tempos, segundo Bob Dylan
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de novembro de 2025
A figura de Bob Dylan ultrapassa qualquer definição simples dentro da música moderna. Como destaca o jornalista Arun Starkey, o cantor e compositor não apenas revolucionou a canção de protesto, como ainda "ampliou suas fronteiras ao transitar entre folk, rock, gospel e experimentações diversas, sempre guiado por um senso poético singular". Mesmo com mais de seis décadas de carreira, Dylan continua sendo um artista atento ao mundo ao redor e, sobretudo, um apaixonado por música alheia.
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Starkey lembra que, embora Dylan seja reverenciado por sua escrita, sua voz sempre dividiu opiniões - e talvez por isso seja tão revelador quando ele, ocasionalmente, elogia cantores que admira. Em 2016, durante entrevista ao The Telegraph, o músico listou seus 25 heróis musicais, incluindo nomes óbvios e outros que fogem ao radar do público mais jovem. Entre eles, um grupo irlandês que marcou profundamente sua formação artística: The Clancy Brothers.
Bob Dylan e The Clancy Brothers
O conjunto, ativo entre 1956 e 1998, teve papel crucial na popularização da música tradicional irlandesa nos Estados Unidos, fomentando um movimento que abriria portas para nomes como The Dubliners e The Wolfe Tones. Na visão de Dylan, porém, a grande força do grupo estava na voz de um de seus integrantes, Liam Clancy, cujo estilo direto e emocional o impressionou desde a juventude. Como lembra Starkey, o impacto foi tão forte que Dylan costumava aparecer em todos os shows do quarteto.
Na entrevista ao jornal britânico, Dylan não deixou dúvidas sobre sua preferência: "Liam Clancy foi o melhor cantor de baladas que já ouvi na vida", afirmou. O elogio, vindo de alguém conhecido pela exigência artística e avesso a declarações grandiosas, ajuda a dimensionar a importância do irlandês dentro do universo folk. É também um lembrete de que, apesar de suas limitações vocais frequentemente apontadas, Dylan sempre teve um ouvido atento às grandes interpretações.
A admiração não foi unilateral. Em sua autobiografia de 2002, Memoirs of an Irish Troubador, Liam Clancy relembrou os primeiros encontros com Dylan, ainda um jovem inquieto que os seguia de apresentação em apresentação. O carinho mútuo ajudou a construir uma ponte entre a tradição europeia e a nova escola folk norte-americana, influência essa que reverbera até hoje nas composições de Dylan.
Starkey destaca que, assim como em "Murder Most Foul" - o monumental single lançado por Dylan em 2020 - o músico sempre procurou prestar homenagem às canções que moldaram sua sensibilidade. Citar Liam Clancy entre seus heróis é reconhecer a força de um intérprete que transformava narrativas simples em arte profunda. E, ao mesmo tempo, é reafirmar que mesmo o maior trovador do século XX continua, antes de tudo, sendo um fã apaixonado por grandes vozes.
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