Por que o Genesis nunca deve se reunir com Peter Gabriel, segundo Phil Collins
Por Bruce William
Postado em 26 de novembro de 2025
Desde que o Genesis começou a revisitar o próprio passado em turnês de reunião, uma pergunta acompanha a banda como sombra: algum dia o grupo voltaria com a formação que marcou o começo dos anos 1970, com Peter Gabriel nos vocais e Steve Hackett na guitarra? Para quem viu aquela fase só em vídeos, a ideia de uma volta completa sempre pareceu tentadora. Na prática, porém, o próprio Phil Collins tratou de jogar água fria nesse tipo de expectativa.
A história do grupo não ajuda a alimentar esse tipo de fantasia. Ao longo da década de 1970, o Genesis foi se desfazendo aos poucos: primeiro Gabriel saiu, depois Hackett, até que Collins assumiu de vez o posto de vocalista e o grupo caminhou para uma sonoridade mais acessível. Mais tarde, o próprio baterista-frontman deixaria a banda, abrindo espaço para outras formações e encerrando, na cabeça de muitos fãs, qualquer chance de "recompor o quebra-cabeça".

O curioso é que, fora do Genesis, quase todo mundo se deu bem. Peter Gabriel construiu uma carreira solo sólida, com discos como "So" levando seu nome ao topo das paradas. Mike Rutherford engrenou com o Mike + The Mechanics. O próprio Collins virou presença constante nas listas de mais vendidos, ao mesmo tempo em que seguia lançando álbuns com o Genesis em fases como a de Invisible Touch. Em vez de convergir, as trajetórias foram se afastando cada vez mais.
Ainda assim, de tempos em tempos, surgiam conversas sobre juntar todo mundo de novo, nem que fosse para alguns poucos shows especiais. Collins contou que uma dessas tentativas aconteceu antes da última grande reunião da banda. Segundo ele, durante conversa com a Louder, houve um encontro em Glasgow envolvendo Mike Rutherford, Tony Banks, Steve Hackett e o próprio Collins. A ideia era discutir a participação de Peter Gabriel em uma retomada do grupo, algo que, na teoria, atenderia ao sonho de muita gente.
A reunião, porém, não foi nada animadora. Collins disse que o encontro foi "doloroso" e deu a entender que a conversa se arrastou sem chegar a lugar nenhum. Nas palavras dele: "Uma reunião do Genesis com Peter Gabriel? As pessoas deveriam esquecer isso. Antes da última reunião, tivemos uma reunião dolorosa em Glasgow, que pareceu durar uma eternidade. Mike, Steve, Tony e eu estávamos empolgados. Mas não conseguimos nenhum compromisso do Peter. Além disso, logo de cara, eu percebi que, se o Peter estivesse envolvido, com a tecnologia disponível, teria sido um pesadelo".
O comentário revela dois pontos importantes. Primeiro, Gabriel não demonstrou disposição real de se comprometer com o formato que a banda tinha em mente. Segundo, a própria cabeça de Peter parece estar em outro lugar. Os shows solo dele costumam envolver recursos multimídia, conceitos visuais mais elaborados e um tipo de abordagem que vai além de "tocar as antigas". Para um público em busca de nostalgia simples, isso poderia gerar uma diferença grande entre expectativa e realidade.
Collins também sugere, nas entrelinhas, que tentar reconstruir a fase setentista poderia resultar em algo artificial. Músicas como "Supper's Ready" e a turnê de "The Lamb Lies Down on Broadway" ficaram marcadas, em parte, pelo jeito de Gabriel no palco, com personagens, figurinos e intervenções que pertencem àquele momento específico. Transportar isso para décadas depois, com outra tecnologia, outra idade e outro contexto, talvez criasse um espetáculo pesado de montar e, no fim, pouco convincente.
Por isso, quando ele diz que "as pessoas deveriam esquecer" a ideia de uma reunião do Genesis com Peter Gabriel, não é apenas um desabafo de cansaço com perguntas repetidas. É um recado sobre limites práticos e criativos: cada um seguiu seu caminho, o grupo já fez as reuniões possíveis com a formação que restou ativa e, para o que muitos chamam de "Genesis clássico", a própria banda parece considerar que a história já foi contada no tempo em que tinha que acontecer.
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