Como Paulo Ricardo perdeu muitos fãs após ignorar conselho do lendário Fagner
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de junho de 2025
Após consolidar-se como ícone do rock nacional à frente do RPM, Paulo Ricardo tomou um rumo inesperado ao decidir lançar uma trilogia de álbuns voltados ao pop romântico, inspirados em Roberto Carlos. O ponto mais polêmico dessa virada foi a parceria com Michael Sullivan — nome consagrado no chamado "brega" — que rendeu a canção "Dois" entre outras.

No início dos anos 2000, o ex-vocalista do RPM já havia sinalizado o desejo de incorporar elementos da MPB aos seus trabalhos, mesclando ao seu rock a sofisticação da música popular brasileira. Regravou Djavan e Caetano Veloso, acrescentou batidas eletrônicas e incluiu inéditas de Adriana Calcanhotto. Ainda assim, nada preparou o público para sua escolha de compor com Sullivan.
O encontro se deu de forma quase cinematográfica: Paulo jantava com Fafá de Belém quando ela o apresentou a Sullivan. Em poucos dias, os três se encontraram em estúdio, violão em punho, e nasceram os primeiros acordes de "Dois". O clima de improviso — tão caro ao rock — pareceu perfeito para a experimentação.
Paulo Ricardo e Michael Sullivan
Antes de seguir adiante, Paulo Ricardo buscou a opinião de Fagner, músico de MPB e parceiro antigo de Sullivan. "Não grave, vai ser muito ruim para você", aconselhou o cantor cearense. O receio era duplo: além do peso do rótulo "brega", havia o risco de afastar fãs acostumados à sua postura roqueira. As falas de Paulo Ricardo foram ao G1.
Mas Paulo, decidido, ignorou o alerta. Quando "Dois" foi lançada, as rádios tocaram e o público se dividiu. Parte celebrou a ousadia; outra parte deixou de acompanhar o cantor, sentindo-se traída. No meio-roda de carnaval "Dois" bombava, mas as críticas ao "Paulo romântico" foram intensas.
O principal alvo foi o preconceito social que ainda permeia o mercado musical brasileiro: para muitos, quem sai do rock "autêntico" jamais retorna sem perder credibilidade. Paulo ressentiu-se desse rótulo. "Esse preconceito é social, não musical", defendeu-se em entrevistas posteriores.
Confira a entrevista completa abaixo.
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