Paulo Ricardo comenta o que é ter muita grana e admite: "Não estou nesse patamar"
Por Gustavo Maiato
Postado em 01 de novembro de 2025
Ícone do pop rock brasileiro e um dos rostos mais conhecidos dos anos 1980, Paulo Ricardo já viveu de tudo: o sucesso estrondoso com o RPM, a carreira solo e o desafio de se manter relevante em um mercado musical que mudou completamente nas últimas décadas. Em entrevista recente ao canal da Trip TV, o cantor refletiu sobre o significado de ser "rico" e sobre as dificuldades de viver de arte no Brasil - com a sinceridade que sempre marcou sua trajetória.
Ao comentar uma brincadeira sobre dinheiro, o músico contou que a realidade é bem diferente. "Viver de música, de arte, no Brasil é bem difícil. A administração da grana é um talento que eu admiro muito - infelizmente, não é um dos meus", disse, com bom humor.

Apesar do tom leve, Paulo Ricardo aproveitou para refletir sobre o verdadeiro valor do sucesso e da estabilidade financeira. "Eu acho que uma pessoa muito rica, por definição, seria aquela que poderia parar de trabalhar e viver só de renda. Eu não estou nesse patamar", admitiu. "Mas, mesmo que estivesse, continuaria fazendo shows, porque amo o que faço."
O cantor destacou que o maior privilégio não está no dinheiro, e sim na possibilidade de viver da própria paixão. "Trabalhar com o que você ama e viver do que você ama é maravilhoso. Ainda mais porque depende das outras pessoas - não sou eu que decido. Eu faço o show, as pessoas vão... ou não vão. Mas poder subir ao palco e sentir aquela adrenalina é algo que não dá para explicar."
Paulo também comentou as transformações da indústria musical e o impacto do streaming na remuneração dos artistas. "A gente teve um baque muito grande. Hoje, o poder está nas mãos dos criadores das plataformas e das grandes gravadoras. É uma divisão injusta. Vi o Pharrell Williams mostrar um cheque que recebeu por Happy, e era uma coisa simbólica. Você precisa ter bilhões de execuções para ganhar um valor razoável. É muito triste."
Mesmo com as dificuldades, o ex-vocalista do RPM não demonstra arrependimento. "Eu amo fazer shows, sempre fiz e sempre vou fazer. É o que mais gosto. Sim, preciso trabalhar - mas mesmo que não precisasse, faria do mesmo jeito. O sucesso e o dinheiro são coisas muito rápidas, muito voláteis", concluiu, com a serenidade de quem já viu o topo e o fundo do mercado musical.
Confira a entrevista completa abaixo.
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