Paulo Ricardo critica cultura da "Lei de Gerson" e diz que Brasil tem governantes que merece
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de dezembro de 2023
O cantor Paulo Ricardo, ex-RPM, concedeu entrevista para a Rádio Mix FM e falou sobre sua nova música "Herói Made in Brazil", que tece duras críticas ao Brasil como um todo. Em sua visão, um dos problemas que os brasileiros enfrentam é a chamada "Lei de Gerson".

Essa nomenclatura diz respeito a um comercial que passava na TV com o jogador de futebol Gerson em que o atleta comentava sobre o chamado jeitinho brasileiro – uma forma sempre fora da lei de se conseguir objetivos.
"Na verdade, enfrentamos diversos desafios, não é mesmo? É preciso ter muito cuidado para não parecer que estamos adotando uma postura política partidária, apontando dedos ou definindo o que é certo ou errado. Afinal, não existe uma verdade única; cada pessoa tem sua visão do que é melhor para o país ou para a cidade. Contudo, há questões que são universalmente consideradas certas ou erradas. Roubar é errado, superfaturar é errado.
Algumas dessas atitudes estão profundamente enraizadas em nossa cultura, já as conhecemos por tanto tempo que parecem normais. No entanto, não podemos nos render à apatia ou aceitar passivamente. Nossa geração emergiu de uma ditadura militar, enfrentamos o desafio de querer fazer a revolução, almejávamos as ‘Diretas Já’ e mudanças significativas. Mas as coisas eram simplificadas demais, preto ou branco. Não tem como ser a favor de uma ditadura. Agora, na democracia, não há certo ou errado absoluto; cada candidato pode ser criticado, seja do partido que for.
A essência da canção reside em um olhar reflexivo sobre nós, brasileiros, questionando o porquê das coisas. Um ditado diz que ‘cada país tem o governante que merece’. Nossa política reflete as escolhas que fazemos nas eleições. Não podemos reclamar, afinal, vivemos em uma democracia, e aqueles que estão no poder foram eleitos por nós, mesmo que para nos roubar. Isso remete ao modernismo, a Mário de Andrade, o Macunaíma, o herói sem caráter. Não se trata apenas de um indivíduo específico, somos todos parte disso. Faz parte de nossa cultura, desse conceito de ser brasileiro, com nosso jeito descontraído, nossa malandragem.
Isso cria uma malemolência que, para perder a integridade, não é difícil. Não é uma questão de flexibilidade, mas sim de respeitar horários, de cumprir compromissos. O brasileiro, às vezes, parece menos preocupado com essas formalidades, como furar filas ou burlar normas policiais. Ao retomar o tema, relembro a época em que, aos 20 anos, almejava mudar o mundo, o país e o meu entorno. Hoje, em um cenário político tão intenso, não posso simplesmente abordar outros assuntos.
O nosso herói, sem caráter definido, é um anti-herói. Isso se inspira em quadrinhos, um Macunaíma, no modernismo, na antropofagia. A música expressa minha visão sobre nossa geração, lutando há mais de 30 anos. Ao olhar para trás, questiono qual legado deixaremos, que diferença fizemos com nossas canções e atitudes. É uma autocrítica, como artista e brasileiro, explorando pontos-chave de nossa cultura, como o jeitinho e a lei de Gerson.
Essa lei, popularizada por um comercial de cigarros na década de 1970, tornou-se um lema político. A ideia de levar vantagem em tudo permeou a sociedade, tornando-se um padrão nos discursos políticos. Enfrentamos um sistema perverso, projetado para impedir mudanças. Aqueles que estão dentro do sistema são os únicos que podem provocar mudanças, mas, muitas vezes, não o fazem. A partir desse ponto, torna-se difícil abordar outros temas sem ser a política".
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