Quando entrou uma graninha fácil pra David Gilmour, mas ele se arrependeu e se livrou dela
Por Bruce William
Postado em 06 de junho de 2025
Na segunda metade dos anos noventa, David Gilmour liderava uma nova fase do Pink Floyd, agora sem Roger Waters. Com "The Division Bell", o grupo emplacava mais um álbum de estúdio, sustentado por turnês grandiosas e repertório que misturava material novo com clássicos da era psicodélica. A estrutura das apresentações era monumental — e foi aí que uma graninha fácil entrou em cena.
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Durante essa turnê, o Pink Floyd aceitou patrocínio da Volkswagen. A proposta envolvia não só apoio financeiro e logístico, mas também ações promocionais que ligavam diretamente a imagem da banda à da montadora. A parceria ajudava a manter a escala dos shows, mas não caiu bem para Gilmour.
Tempos depois, ele comentou abertamente que não gostou da experiência, em fala resgatada pela Far Out. "Confesso que não pensei bem antes e fiquei incomodado com isso. Conhecer e cumprimentar gente da Volkswagen... Eu não era o queridinho deles. Não quero que digam que têm uma conexão com o Pink Floyd, como se fizessem parte do nosso sucesso. Não faremos isso de novo. Não gostei, e o dinheiro que ganhei foi doado para caridade. Devemos continuar orgulhosamente independentes."
Naquele momento, a banda promovia shows com projeções, efeitos e repertório de peso, incluindo "The Dark Side of the Moon" na íntegra — algo registrado no álbum ao vivo "Pulse". O espetáculo era impactante, mas para quem já criticava o Floyd sem Waters, o patrocínio de uma gigante automobilística soava como mais uma evidência de que o grupo havia perdido o rumo artístico.
As críticas a essa fase não eram novas. Desde "A Momentary Lapse of Reason", parte do público mais ligado à era Roger Waters via os novos discos como produtos polidos demais. Apesar disso, "The Division Bell" trouxe momentos mais inspirados e coesos, com canções como "High Hopes" sendo vistas como um encerramento digno da discografia.
Enquanto isso, Waters seguiu em carreira solo com álbuns como "Amused to Death", de teor mais político e pessoal. Para ele, o Pink Floyd pós-saída se resumia a uma grande máquina de fazer dinheiro — e a associação com a Volkswagen parecia confirmar isso.
A crítica mexeu com Gilmour. Ainda que nunca tenha respondido diretamente a Waters, ele deixou claro que a parceria com a montadora foi um erro. Não repetiria. E qualquer valor que recebeu, repassou para ações beneficentes. A partir dali, passou a deixar explícito que não colocaria mais o nome da banda em acordos comerciais desse tipo.
Nos anos seguintes, Gilmour focou em trabalhos solo como "On an Island" e projetos pontuais ligados a causas humanitárias. O episódio com a Volkswagen ficou como um lembrete de que, mesmo em uma banda tão grande, ainda era possível perder o controle — e que dinheiro fácil nem sempre vale a dor de cabeça depois.
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