Em 2008, David Gilmour falou sobre sua posição política, e Roger Waters
Por André Garcia
Postado em 06 de março de 2023
Permeiam o rock britânico duplas que fazem trabalhos brilhantes, mas se separam e nunca mais voltam. Entre os principais exemplos posso citar John Lennon e Paul McCartney, Morrissey e Johnny Marr e Roger Waters e David Gilmour.
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O Pink Floyd foi um dos nomes mais bem sucedidos da história da música ao longo de todos os anos 70. Tal façanha a muito se deve à combinação das letras e convicções políticas/filosóficas de Roger Waters com os solos e melodias de David Gilmour. Com o passar do tempo, tensões internas entre eles levaram a uma ruptura feia em 1985, que culminou com a saída de Waters.
A parceria entre os dois, apesar de já ter rendido tantos ovos de ouro, jamais foi retomada. A relação entre eles, embora já tenha tido uma trégua ou outra, sempre pareceu mais uma guerra fria. Recentemente, a situação entre eles se agravou após o baixista fazer críticas à Ucrânia e ser duramente rechaçado pela esposa do guitarrista. Farpas e acusações foram trocadas por meio da imprensa.
Em entrevista dada por Gilmour em 2008 à Mojo, entre outras coisas, curiosamente, ele falou sobre misturar política e música, e sobre os contundentes posicionamentos políticos de Waters.
Mojo: Seus pais foram professores em Cambridge. Quão politicamente ativos eles eram?
David Gilmour: Aquilo [a política] estava a nosso redor na época. Meus pais eram de centro-esquerda, leitores de Manchester Guardian e os dois votavam no partido trabalhista. Eu ainda me considero mais um socialista do que qualquer coisa, por mais que eu não seja chegado em partidos políticos.
Mojo: Por anos, você dividiu espaço no Pink Floyd com um músico que parecia ter uma voz política bem alta...
DG: Roger [Waters] tinha uma voz política alta, mas eu não sei dizer o quanto ele a usava. Ele diria que usava em sua música.
Mojo: A oposição de Roger Waters à Guerra das Malvinas foi o tema por trás da maior parte do "The Final Cut" do Pink Floyd, em 1983. O quanto você estava confortável em compartilhar daquela visão?
DG: Roger e eu tivemos nossas discordâncias, mas nós sempre tivemos do mesmo lado. Eu sou completamente contrário a guerra se ela puder ser evitada. Eu não era a favor de Thatcher atacando as Ilhas Malvinas, mas meu ponto de vista era ser nosso dever defender aquele território. Só que aquilo, de um jeito ou de outro, deveria ter sido estabelecido via um acordo de longo prazo. Era óbvio que foi uma proposital falha de comunicação entre os canais diplomáticos da Argentina e da Inglaterra. Aquela matança no General Belgrano foi simplesmente terrível.
Mojo: Você se imagina misturando música e política?
DG: Eu não tenho nada contra qualquer músico que queira usar sua voz como tal para expor suas visões políticas ou filosóficas — foi com as canções de protesto de Bob Dylan que eu cresci. Mas confesso que não sou verbal ou claro o bastante [para fazer isso]. Creio que eu viva minha vida em tons de cinza.
Em 2022, David Gilmour tirou o Pink Floyd da inatividade para gravar uma música, algo que não acontecia desde 2014. O single "Hey, Hey, Rise Up!" foi lançado em protesto contra a invasão da Russia à Ucrânia, tendo a participação do ucraniano Andriy Khlyvnyuk no vocal. Todo o dinheiro obtido com a faixa foi doado para o país. O guitarrista possui dois netos parte ucranianos.
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