O hit do "Quatro Coiotes" que é o ponto alto musical do RPM, segundo Fernando Deluqui
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de setembro de 2025
O RPM foi um dos maiores fenômenos do rock brasileiro, arrastando multidões nos anos 80 com hits como "Olhar 43", "Alvorada Voraz" e "Rádio Pirata". Mas, para o guitarrista Fernando Deluqui, o verdadeiro auge musical da banda não está nesses sucessos de rádio. Segundo ele, a canção que melhor sintetiza a força criativa do grupo é "Sete Mares", faixa do álbum "Quatro Coiotes" (1988).
Em entrevista ao Corredor 5, Deluqui destacou que a composição da música envolveu diretamente a parceria entre Paulo Ricardo e P.A. Pagni, com sua própria colaboração nos arranjos: "O P.A. fez esses teclados. Depois o Luiz cobriu, mas esse veio lá do estúdio da Pompeia. Eu entrei com outro riff, fui editando o que o P.A. fazia no teclado, e depois o Paulo pôs a letra e melodia. A gente toca no show até hoje", contou.

O guitarrista explicou que a faixa ganhou força ao vivo, especialmente pelo espaço aberto para improvisações: "A gente faz um improviso depois com o Kiko Zara, que é um baterista espetacular, sabe tudo de técnica, mas também tem raça. Ele faz um solo em cima desse tempo. É longo, impressionante. Para mim, esse é o ápice musical do show. E para mim esse é o ápice musicalmente falando do RPM."
Apesar da grandiosidade de "Sete Mares", o álbum "Quatro Coiotes" enfrentou dificuldades comerciais. Lançado em 1988, o disco representava uma tentativa de buscar um som mais sofisticado e democrático na divisão de composições. Esse movimento, no entanto, gerou desconforto dentro da banda – especialmente para Luiz Schiavon, que, segundo Deluqui, não ficou à vontade com a nova dinâmica criativa e chegou a levar suas reclamações à gravadora.
Além das tensões internas, o álbum também não entregou a fórmula comercial que a CBS esperava, como relatou Deluqui: "Foi mixado em Los Angeles. O Maluly levou a gente pra lá. Em algum momento ele alertou: não é um disco tão comercial assim. Certamente a gravadora devia estar no ouvido dele. Mas o Maluly também tava um pouco com a gente nessa onda de 'vamos fazer o disco que vocês querem fazer'. Agora, se vai vender, como nós vamos vender, pra quem nós vamos vender? Esse foi o grande erro."
Com o tempo, porém, o guitarrista passou a olhar o álbum com outros olhos, destacando que "Sete Mares" continua sendo um ponto alto da história da banda: "Hoje eu gosto desse álbum. Dos que eu mais gosto. Eu não enjoei dele. Tem coisas boas, cara."
Confira a entrevista completa abaixo.
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