Produtor explica desventuras em série que se acumularam no segundo álbum do RPM
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de maio de 2023
O segundo álbum do RPM se chama "Quatro Coiotes" e saiu em 1988, pela CBS/Sony. Em entrevista ao Corredor 5, Luiz Carlos Maluly, produtor do trabalho, contou que entre os problemas enfrentados nessa gravação estava a recém-separação do grupo e a decisão de mixar fora do Brasil.
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"No caso do segundo disco ‘Quatro Coiotes’ o RPM havia acabado. Eles estavam fazendo uma tentativa sem produtor. Acabou que não rolou. Eles estavam no estúdio tentando e brigaram. Naquele dia, por coincidência, os quatro me ligaram pedindo para eu ser o produtor da carreira solo de cada um! [risos]. Eu era amigo de todos! Gosto deles até hoje, nos falamos e tudo mais.
Então, liguei para a gravadora perguntando se a banda tinha acabado mesmo. Alguém respondeu que não gostariam que o RPM terminasse. Resolvi tentar conversar com eles. Fui na casa do Luiz Schiavon e convenci. Falei com o Paulo Ricardo também e tudo mais. Eles resolveram tentar novamente. Só que eles não tinham nenhum material, nenhuma música pronta. Só tinha trechinhos. Surgiu a ideia de juntar os integrantes lá em Búzios. Alugaram a casa e levaram uma estrutura. Eu ia só nos finais de semana porque tinha outras coisas de trabalho para fazer. Acompanhei a composição. Eles tinham equipamento para gravar.
A música ‘Partners’, por exemplo, foi criada numa madrugada. Era um absurdo! Cada um deu seu pitaco e ficou ótima. Depois, conseguimos um repertório e poderíamos ir para o estúdio da Som Livre. Eu tinha a confiança deles. Quando fizemos a gravação, fomos mixar em Los Angeles. Queríamos um resultado diferente. Não achei legal para a época. Ouvindo hoje, podemos perceber que tinha a ver. Para a época, faltavam coisas. Me propus até a remixar esse disco depois. Lá nos EUA, estávamos inebriados pelo clima de estar lá.
Acabamos esquecendo o mercado brasileiro. A voz do Paulo Ricardo, por exemplo, estava mais baixa e isso não foi uma decisão legal. Acreditávamos que seria uma nova linguagem e foi um equívoco. Não só essa questão da voz mais alta. Poderíamos ter tirado mais proveito daquelas músicas".
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