O solo de guitarra no Creedence que faz John Fogerty suspirar de orgulho
Por Bruce William
Postado em 19 de setembro de 2025
John Fogerty é daqueles músicos que fazem tudo parecer fácil. Canta com aquela voz áspera e cheia de personalidade, compõe hits com naturalidade e ainda arranca da guitarra um timbre que todo mundo reconhece de cara. Mesmo sem a pompa dos grandes virtuoses, ele construiu uma obra sólida, com poucos excessos e muita entrega.
E justamente por dominar várias frentes - vocal, composição, performance - Fogerty sempre pensou nas músicas como um todo. Para ele, um bom riff ou solo não existe separado da emoção da canção. Tudo precisava se encaixar no clima certo. E em alguns momentos raros, isso acontecia de forma tão perfeita que parecia mágica.
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Um desses momentos, segundo o próprio músico, aconteceu ainda no começo da carreira. Fogerty diz que uma de suas maiores realizações como guitarrista foi alcançada com recursos limitados: uma guitarra simples e um amplificador modesto. Mas mesmo assim, conseguiu capturar o som exato que tinha em mente, e é por isso que guarda um carinho especial por essa gravação.
A canção em questão é "Suzie Q", lançada em 1968 com o Creedence Clearwater Revival (youtube). "Ela acertou em cheio dentro das minhas habilidades", explicou Fogerty em entrevista à Vulture (via Far Out). "Eu estava navegando com o equipamento que tinha em mãos." Ele admite que seu estilo não era tecnicamente avançado, ainda mais diante de nomes como Eddie Van Halen, mas destaca que havia emoção e intensidade suficientes para compensar qualquer limitação.
No caso de "Suzie Q", o solo de guitarra tem uma vibração crua, quase hipnótica. Fogerty diz que entrava em transe durante a execução: "Às vezes, quando a música acabava, eu sentia como se tivesse atravessado o cômodo e só então acordado." Para ele, um bom solo é assim: leva o ouvinte para outro lugar, segura a atenção e termina com aquela sensação de euforia.
Além disso, "Suzie Q" teve um papel essencial no início da trajetória do CCR. Com mais de oito minutos na versão original do álbum, a música foi dividida em dois lados no compacto e acabou conquistando público e crítica. Ironicamente, a gravação que nasceu como uma espécie de improviso virou o primeiro grande sucesso da banda e pavimentou o caminho para clássicos como "Proud Mary" e "Bad Moon Rising."
Mais do que uma simples faixa, "Suzie Q" representa o momento em que Fogerty descobriu o próprio som. E mesmo décadas depois, quando já era reconhecido como cantor, compositor e líder de banda, ele ainda se definia primeiro como guitarrista. "Essa música é um bom exemplo do que eu era capaz de fazer naquela época", concluiu.
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