A música muito pesada do Black Sabbath que fala sobre amor e foi regravada pelo Sepultura
Por Mateus Ribeiro
Postado em 12 de setembro de 2025
Pioneiro absoluto do heavy metal, o Black Sabbath construiu uma discografia monumental. Os seis primeiros álbuns desse catálogo, gravados pela formação clássica da banda, formam uma sequência impressionante, que se tornou pedra fundamental para o desenvolvimento do gênero.
A configuração clássica do Sabbath — Ozzy Osbourne nos vocais, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria — ainda gravou outros dois discos, "Technical Ecstasy" (1976) e "Never Say Die" (1978). Mesmo assim, os seis primeiros registros seguem como os mais celebrados. O álbum que encerra esse ciclo é "Sabotage", lançado em 1975, que traz em seu repertório uma das composições mais marcantes da carreira do quarteto: "Symptom of the Universe". O riff principal da faixa é um dos mais icônicos e pesados de toda a trajetória do grupo.
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Com pouco mais de seis minutos de duração, "Symptom of the Universe" apresenta duas seções distintas. A primeira, que ocupa cerca de quatro minutos e vinte segundos, é densa e agitada. Já a parte final revela uma sonoridade mais suave e melódica, conduzida por uma interpretação de Ozzy que chega a remeter ao estilo de Robert Plant, como observa o músico Marco Antero.
A letra da canção, por sua vez, trata de um sentimento universal que serviu de inspiração para incontáveis artistas. Em entrevista concedida ao site Songfacts em 2024, Geezer Butler explicou a verdadeira essência por trás do tema.
"É sobre amor. O amor é o sintoma do universo. É isso que nos faz seguir em frente."
É curioso notar que uma música guiada por um riff tão agressivo tenha como mensagem central o amor. Esse contraste ganhou ainda mais força no início da década de 1990, quando o Sepultura regravou "Symptom of the Universe", adicionando peso extra e o vocal visceral de Max Cavalera.
A versão do Sepultura foi registrada para "Nativity In Black", tributo ao Black Sabbath. Em entrevista à Metal Hammer, o guitarrista Andreas Kisser revelou que a banda tentou convidar Tony Iommi para a gravação, mas a colaboração acabou não acontecendo.
"O próprio Sabbath estava em um estúdio perto de nós [gravando ‘Cross Purposes’, lançado em 1994], então decidimos um dia ir visitá-los; nós realmente queríamos conhecê-los. Mas quando chegamos lá, eles não estavam em lugar nenhum.
Nós realmente queríamos que Tony Iommi participasse de nossa versão de ‘Symptom Of The Universe’. Tínhamos um plano para ele tocar o solo acústico no final da faixa. Mas ele não estava disponível, então, no final, eu mesmo toquei."
O Black Sabbath encerrou oficialmente suas atividades em 5 de julho deste ano, com um último show, realizado em Birmingham. Duas semanas depois, o vocalista Ozzy Osbourne morreu aos 76 anos.
Já o Sepultura, maior expoente brasileiro do heavy metal, também se aproxima do desfecho de sua trajetória. Sob a liderança de Andreas Kisser, a banda está em sua turnê de despedida, intitulada "Celebrating Life Through Death".
Histórias de Músicas - Black Sabbath
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