O que quem está usando drogas hoje precisa entender, segundo Fernando Deluqui do RPM
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de janeiro de 2024
Dizer que o rock nacional dos anos 1980 e as drogas formam uma relação estreita é chover no molhado. Discos clássicos de bandas como Legião Urbana, Titãs e Capital Inicial foram criados com abuso de substâncias – seja álcool, maconha ou coisas mais pesadas.
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No caso do RPM, a história não foi diferente e, inclusive, entorpecentes foram grande parte da causa do rompimento da banda e várias brigas ocorreram por causa das drogas. Hoje em dia, esses roqueiros estão mais conscientes.
Em entrevista ao Dinho Vrocks, Fernando Deluqui, guitarrista e ultimo remanescente da formação clássica do RPM, comentou sobre seu histórico de uso de drogas e aconselhou cuidado para quem está usando hoje em dia.
"As drogas em si, não posso recriminar. O que posso dizer é que dá merda. Tem que tomar cuidado. Pessoas morrem, né? Se você não usar, momentos não serão desperdiçados. Eu desperdicei vários momentos por causa do excesso. Passei da conta. Se você tiver alguém para te dar um toque, é legal. Uma vez ou outra, tudo bem, mas depois todo mundo está pulando na piscina alegre e você fica escondido no quarto. Não é legal. Não vai te trazer felicidade. Não se iluda. O caminho da felicidade é o da união. Só vai conseguir com cuidado. Se cuidando, cuidando da sua família. Eu usei drogas, mas era algo pessoal. Não vou dizer para não usar, mas tome cuidado".
RPM e drogas
Durante parte da década de 1980, Manoel Poladian desempenhou um papel significativo na gestão da banda RPM. Apesar de ter se tornado um fenômeno de grande sucesso, o período áureo da banda foi abreviado devido ao envolvimento com drogas.
Em uma entrevista concedida ao canal Corredor 5, no YouTube, Poladian compartilhou que, embora tenha enfrentado desafios financeiros com a banda, conseguiu reverter a situação positivamente. No entanto, o cenário mudou drasticamente com a introdução das drogas na equação.
"Eu mantinha uma equipe dedicada a analisar os resultados dos shows do RPM. Identificávamos quais músicas eram mais aplaudidas e quais o público mais apreciava. Apesar de ter vendido alguns shows por 15 mil, percebi que poderíamos alcançar valores mais altos. Mostrei ao RPM que havia investido consideravelmente, mas ainda estávamos operando com prejuízo. Decidi assumir os custos dos shows para recuperar o investimento posteriormente. Nesse novo formato, o RPM começaria a receber cachê por espetáculo, permitindo-nos avaliar a reação do público. O cachê foi progressivamente aumentando. Em 28 dias, realizamos 28 shows, recuperando o investido.
Posteriormente, começamos a remunerar a banda por cada apresentação, iniciando em 15 mil e atingindo a marca de 150 mil. Tanto a banda quanto eu lucraram consideravelmente. No entanto, nesse ponto, as drogas entraram em cena, levando-os à loucura. Anunciaram que pretendiam sair para criar uma empresa própria. Eu não costumo dialogar com pessoas sob efeito de drogas, preferindo aguardar momentos de lucidez. Deixei claro que a porta estaria aberta, mas que deveriam honrar os compromissos dos shows do final do ano, recebendo metade do cachê. Quando o artista não arca com os custos do próprio bolso, o impacto é menor. Eles ficaram contentes por se verem livres. Essa foi a queda do RPM", revelou Poladian.
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