Rick Rubin elege o melhor álbum do U2, o de maior proporção de boas canções
Por Bruce William
Postado em 15 de outubro de 2025
Em 2004, numa conversa com a Musicangle, o assunto espinhoso era longevidade. Perguntaram a Rick Rubin se ainda existiam artistas com o "peso" de um Johnny Cash, falecido no ano anterior, após a derradeira guinada da carreira capitaneada por Rubin na série American Recordings, que recolocou sua voz no centro.
A partir daí, ele desenvolveu a ideia de como poucos conseguem seguir fazendo discos grandes depois de décadas, se conseguirem manter o rumo. "Se a carreira do Johnny tivesse acabado nos discos da Sun, talvez não pensássemos tanto nele hoje", disse, apontando que tempo de estrada também constrói importância. Citou Neil Young como exemplo de quem atravessou décadas mantendo vigor.

Dali, Rubin passou para um diagnóstico comum a carreiras longas: é raro artistas já veteranos fazerem discos realmente grandes. Ele lembrou sua experiência com Tom Petty em "Wildflowers": na época achou "bom", já considerava excelente, mas ainda assim, notou que o álbum se destacava menos pelo brilho isolado e mais por superar o que os contemporâneos estavam entregando no mesmo período.
Nesse raciocínio, o U2 entrou como exceção que confirmava a regra. Rubin disse que "o último álbum deles, pra mim, talvez seja o melhor que já fizeram" e explicou o critério: "a proporção de músicas boas em relação ao total é maior do que em qualquer outro disco da banda." Para ele, consistência de ponta a ponta vale mais do que um ou dois singles imensos cercados de preenchimento.
Quando o entrevistador perguntou qual era esse disco, Rubin respondeu "All That You Can't Leave Behind" (2000), fase de retomada estética do grupo. Mais que nostalgia, o que impressionou Rubin ali foi a sequência de faixas que se sustentam, sem depender só do impacto radiofônico. Nisto, o entrevistador aproveitou para citar o que tinha visto na última turnê: adoração quase messiânica nas arenas. Rubin assentiu com a cena - "gente chorando" - enquanto o repórter descrevia Bono como alguém que "parecia uma divindade" no palco, mantendo o controle sem cair na caricatura. A observação ajuda a contextualizar o momento: havia conexão emocional e repertório caminhando juntos.
Colocando tudo no mesmo quadro, Rubin avalia o U2 por dois eixos que raramente andam lado a lado em carreiras longas: manter relevância e entregar um álbum coeso. Na visão dele, "All That You Can't Leave Behind" atinge justamente esse ponto, não pelo mito, mas pelo conjunto das canções.
No fundo, a tese do produtor é simples de verificar: em artistas "maduros", a medida não é só quem ainda lota estádios, e sim quem ainda grava um disco que você escuta inteiro sem pular faixa. Em 2004, Rick Rubin olhou para o U2 e disse que esse era o caso. E é por isso que, para ele, aquele álbum segue no topo da prateleira.
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