O guitarrista que Roger McGuinn colocou no mesmo nível de Jimi Hendrix
Por Bruce William
Postado em 12 de novembro de 2025
Quando se fala na trajetória de Roger McGuinn, o roteiro costuma vir carregado de marcos: The Byrds em "Mr. Tambourine Man" abrindo caminho entre folk e rock, "Eight Miles High" apontando para viagens sonoras mais ousadas, "Sweetheart Of The Rodeo" conectando country e cultura hippie, parcerias com nomes como Bob Dylan, Tom Petty e Bruce Springsteen. No meio dessa linha do tempo cheia de gente famosa, chama atenção a maneira como McGuinn fala de um guitarrista específico com respeito absoluto, quase em tom de reparação histórica: Clarence White.
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"Clarence estava no nível de todos os melhores guitarristas. Ele era um músico incrível. Era muito quieto e reservado, como o Hendrix, com um senso de humor sutil e seco. Ele era engraçado, mas não falava muita coisa. Ele realmente se expressava através do jeito que tocava", disse. Mas antes de chegar nesse ponto, McGuinn relembrou para a Classic Rock que viu de perto o crescimento de Jimi Hendrix.
Ele cita o período em que The Byrds dividiram palco com Little Richard, com Hendrix ainda como sideman, e depois a cena no Whisky a Go Go, quando o guitarrista de "Purple Haze" atravessou o camarim só para elogiar Clarence White. Segundo McGuinn, Hendrix era um grande admirador do trabalho de Clarence, algo que por si só já indica o nível de refinamento que ele enxergava ali.
A relação com Hendrix ainda rende outra lembrança forte: uma jam em um loft em Nova York, com McGuinn, Hendrix e Eric Clapton tocando blues, riffs, fragmentos de temas conhecidos, num clima de competição saudável entre dois guitarristas que já eram referência mundial. Em vez de transformar o episódio em mito vazio, McGuinn aponta o que interessa: naquele círculo de músicos, Clarence White era visto como alguém do mesmo patamar técnico e criativo, mesmo sem a mesma projeção de fama.
Ao falar diretamente de Clarence, McGuinn diz que ele estava "no grupo dos melhores guitarristas", que era discreto, de humor seco, alguém que falava pouco e deixava tudo nas mãos da guitarra. Essa descrição ajuda a entender por que o nome dele não aparece com a mesma força que outros da época: Clarence não era construído em cima de persona, exagero ou espetáculo. Era músico de palco, de estúdio, de soluções criativas que muitas vezes se infiltraram em gravações e influências sem assinatura estampada.
A parte mais pesada do relato vem nos últimos dias de Clarence White. McGuinn conta que o viu em 13 de julho de 1973, em sua festa de aniversário, quando conversaram sobre a possibilidade de voltarem a tocar juntos. Horas depois, na madrugada seguinte, Clarence foi atropelado por um motorista bêbado enquanto carregava equipamento após um show. No funeral, McGuinn conta que ouviu Gram Parsons dizer que não queria ter um fim parecido, frase que se tornaria sinistra à luz do que aconteceria pouco tempo depois, quando Kaufman levou o corpo do amigo para ser cremado no deserto - história que McGuinn confirma como verdadeira.
"No funeral do Clarence, eu estava na limusine quando o Gram Parsons disse ao Phil Kaufman que tudo aquilo era triste demais e que, quando chegasse a hora dele, não queria ir daquele jeito. Então essa história não é lenda, é verdade."
Ao destacar Clarence White com tanto respeito em meio a lembranças que envolvem Hendrix e Clapton, Roger McGuinn aponta para um guitarrista cuja importância muitas vezes ficou escondida atrás das narrativas mais barulhentas do rock. Para ele, Clarence não era apenas um "bom músico esquecido", mas alguém cuja linguagem, precisão e inventividade colocavam no mesmo degrau dos nomes que todo mundo aprendeu a reverenciar. E isso, vindo de quem veio, dispensa qualquer adjetivo a mais.
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