A banda que não ficou gigante porque era "inglesa demais", segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de novembro de 2025
Em um corte resgatado pelo canal Cortes Crimson, o crítico musical Regis Tadeu explicou por que o Uriah Heep, apesar de ter sido uma das grandes bandas do rock setentista, nunca alcançou o mesmo patamar de popularidade de grupos como Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple.
Segundo Regis, o motivo principal foi a dificuldade da banda em estourar nos Estados Unidos, mercado que consolidou as grandes formações do rock britânico da época: "Sabe o que faltou? Faltou eles estourarem nos Estados Unidos, como aconteceu com o Led Zeppelin, o Sabbath e o Deep Purple. Eles não conseguiram isso porque o som era considerado inglês demais."

O problema do Uriah Heep
O crítico comparou a situação do Uriah Heep à de outras bandas britânicas que enfrentaram o mesmo problema: "Isso também matou a carreira dos Kinks e do Slade nos Estados Unidos. Era um som muito inglês, e o público americano não abraçou."
Regis destacou ainda que a falta de suporte de uma grande gravadora foi determinante para limitar o alcance do grupo: "Eles não tiveram o apoio da Bronze Records. Era uma gravadora pequena, sem grana para investir em jabá nas rádios americanas. O Led Zeppelin tinha a poderosa Atlantic, o Sabbath tinha a Vertigo, subsidiada pela EMI, e o Deep Purple também era da Atlantic. Já o Uriah Heep estava na Bronze, uma gravadora que não tinha estrutura."
O crítico também comentou a mudança de rumo criativo da banda a partir do álbum "Magician's Birthday" (1972), que marcou uma tentativa de buscar o público americano: "Até o Demons and Wizards, o grupo era calcado nas composições e letras do Ken Hensley, que falavam de fantasia, ficção científica, bruxos... era praticamente um disco conceitual. Mas no meio da gravação do Magician's Birthday, os caras da banda se revoltaram e disseram: 'Precisamos tocar nas rádios americanas'. Por isso o disco tem músicas no estilo antigo, como Sunrise, e outras feitas para tocar no rádio, como Spider Woman."
Para Regis Tadeu, essa tentativa de agradar dois públicos diferentes acabou deixando o álbum "dividido" e marcou um ponto de transição na trajetória do Uriah Heep: "Foi uma doideira. Um disco de transição. Mas, basicamente, eles eram de uma gravadora muito pequena. E isso fez toda a diferença."
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