Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Por Bruce William
Postado em 27 de abril de 2026
Quando o Evanescence explodiu com Fallen em 2003, a impressão de muita gente era a de um conto de fadas moderno: uma banda nova, uma vocalista de imagem marcante, clipes por toda parte e milhões de discos vendidos em pouco tempo. Só que, para Amy Lee, a memória daquele período está longe de ser tão romântica assim. Por trás do sucesso, ela lembra a insegurança, frustração e a sensação de que precisava lutar o tempo todo para defender o que queria artisticamente.
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Em entrevista à Metal Hammer em 2017, quando a banda se preparava para lançar Synthesis, Amy falou de forma bem aberta sobre esse processo. Segundo ela, o começo da carreira foi marcado por concessões, pressão externa e por uma dificuldade constante de ser levada a sério como compositora e liderança criativa. "Não foram só rosas", resumiu. "Eu me sentia insegura, tentando entender as coisas. Frustrada. Eu tive que lutar por tudo o que queria e fui tratada como criança."
A frase ajuda a iluminar uma parte da história do Evanescence que durante muito tempo ficou meio escondida atrás da estética, do sucesso comercial e da imagem de Amy como rosto da banda. Ela já comentou em outras ocasiões, por exemplo, que em "Bring Me to Life" houve interferência de gente da gravadora, que queria a inclusão de um vocal masculino com Paul McCoy. Para ela, esse tipo de situação fazia parte de um ambiente em que artistas jovens, especialmente mulheres, eram vistos mais como peça de marketing do que como pessoas capazes de comandar o próprio trabalho.
Amy falou disso com bastante objetividade: "As pessoas que se ligam a você geralmente estão tentando tirar vantagem - foi isso que senti na primeira metade da minha carreira, mas hoje consigo identificar melhor", disse. E foi além: "Parte disso é por eu ser mulher, mas parte também é simplesmente por eu ser jovem." Em outro momento, resumiu a forma como era enxergada naquele começo: "Todo mundo só me via como uma garota na frente de uma banda; uma garota com algum homem por trás fazendo todo o trabalho."
Esse ponto parece ter pesado bastante na virada entre "Fallen" e "The Open Door". Quando perguntada sobre o segundo álbum, Amy reconheceu que talvez ele não fosse "mais verdadeiro" que o primeiro, mas era um disco em que ela tinha mais controle. Se "Fallen" era lembrado por ela como um álbum mais ligado à dor, "The Open Door" aparecia como o disco da reação, da força e da tentativa de se recolocar artisticamente no centro da própria história.
Na época da entrevista, Amy também deixava claro que os intervalos entre um trabalho e outro não significavam desinteresse pela banda. Para ela, o Evanescence sempre precisou de pausas para continuar existindo de forma honesta. "Para fazer algo que você realmente quer dizer, eu preciso viver a minha vida por um tempo, descobrir de novo quem eu sou e ter experiências que eu precise colocar para fora", explicou. Em vez de permanecer o tempo inteiro presa à persona pública, ela dizia precisar "deixar de ser rockstar" por um momento e simplesmente voltar a ser Amy.
Talvez por isso "Synthesis" tenha aparecido para ela como um retorno às raízes em outro sentido. Mais do que um disco de regravações com orquestra e eletrônica, o projeto parecia uma maneira de revisitar a própria trajetória com outro grau de controle e outra maturidade. Já não era a jovem de 21 anos sendo arrastada pelo tamanho da máquina ao redor. Era alguém olhando para a própria história, reconhecendo o que viveu, e deixando claro que o Evanescence continuava sendo, antes de qualquer coisa, terreno dela.
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