A "covardia" que quase destruiu o show do Roupa Nova no Rock in Rio de 1991
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de março de 2026
O técnico de som Flávio Senna relembrou, em entrevista ao canal Corredor 5, um episódio ocorrido durante a edição de 1991 do Rock in Rio que classificou como "covardia". Questionado sobre o evento, ele foi direto: "Para mim, foi a maior decepção do planeta. O que foi feito com a gente foi uma covardia."
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Segundo o profissional, havia duas consoles de som no palco, uma para a banda que se apresentava e outra já preparada para o artista seguinte, com equalizações e níveis previamente ajustados.
De acordo com Senna, houve um problema técnico ou decisão de última hora envolvendo um artista estrangeiro, que acabou utilizando a mesa destinada ao Roupa Nova. "Ele entrou na mesa que era da gente, fez o show, e quando terminou me entregaram a mesa com o Roupa Nova já no palco", afirmou.
O resultado, segundo ele, foi caótico. "Eu não tive como zerar a mesa. Não consegui começar do zero, nem sem equalização, nem sem nível. Eu fiz o Roupa Nova no input da outra banda que tinha tocado antes." Senna relatou que os canais estavam todos diferentes e que não houve tempo hábil para reorganizar a estrutura antes do início do show.
Durante as primeiras músicas, o som ficou comprometido. "O cara comentou: 'Nossa, cantar eles sabem', porque o som estava horroroso no começo. Claro que estava." Ele disse que conseguiu ajustar gradualmente, com a colaboração da própria banda, que segurou o início do repertório para permitir que as vozes fossem equalizadas corretamente.
Quando a situação técnica começou a se estabilizar, veio novo obstáculo. "Quando finalmente começou a ficar bom, desligaram o PA porque o tempo tinha estourado." Segundo o técnico, ainda restavam cerca de 40 minutos previstos para o grupo, mas o atraso do artista anterior teria levado ao corte da apresentação.
Para Senna, a questão central é o respeito ao artista. "Se você chama um artista, ele tem que fazer o espetáculo dele. Ou então não chama. Não quero fazer um minuto a mais, mas também não quero fazer um minuto a menos." Ele acrescentou que a situação o marcou profundamente, embora reconheça que parte do público ainda conseguiu aproveitar o show.
Confira a entrevista completa abaixo.
Rock In Rio 1991
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