Regis Tadeu explica morte dos Mamonas Assassinas: "Imprensa não contou"
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de agosto de 2026
Trinta anos após a morte dos Mamonas Assassinas, Regis Tadeu dedicou um vídeo em seu canal com o título "Verdade que a imprensa não contou" onde explica o que o relatório oficial do CENIPA - Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - aponta como causas reais da tragédia de 2 de março de 1996. A conclusão do jornalista é direta: "Aquela tragédia foi uma sucessão inacreditável de erros humanos, fadiga extrema e descumprimento de regras básicas da aviação."
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O ponto de partida é o contexto da banda naquele momento. Os Mamonas Assassinas realizaram mais de 150 shows em cerca de 180 dias - uma rotina que Regis descreve como "simplesmente desumana". Naquela noite, o grupo havia se apresentado no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no último show da turnê nacional. O voo seguinte levaria todos para Portugal no dia seguinte. O clima era de festa, mas também de pressa.
O Learjet 25D, prefixo PT-LSD, decolou de Brasília às 21h58 com destino a Guarulhos. A bordo estavam os cinco integrantes da banda, o empresário, o produtor e os dois pilotos - o comandante Jorge Luiz Germano Martins e o copiloto Alberto Yosi Takeda. A tripulação enfrentou uma jornada de cerca de 17 horas de trabalho, ultrapassando em aproximadamente seis horas o limite previsto na Lei do Aeronauta vigente na época.
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O voo transcorreu sem problemas até a aproximação de Guarulhos. O aeroporto operava por instrumentos - tempo ruim, teto baixo, neblina e chuva fina. Na primeira tentativa de pouso, o avião arremeteu por não conseguir o alinhamento correto. Até aí, procedimento padrão. O problema veio na sequência: o ponto crítico foi a execução de uma curva à esquerda em direção à Serra da Cantareira, quando as cartas de voo e a orientação da torre previam uma curva à direita.
Regis aponta ainda outro fator agravante identificado pelo CENIPA: a inversão de funções dentro da cabine. O copiloto, com menos experiência no modelo, estava pilotando em condições meteorológicas ruins, enquanto o comandante fazia as comunicações de rádio. A falta de familiaridade com os procedimentos de arremetida por instrumentos e a tentativa de realizar uma manobra visual em condições meteorológicas degradadas foram erros decisivos apontados pelos peritos.
Às 23h16, o Learjet colidiu contra a Serra da Cantareira. A aeronave rasgou 400 metros de mata, abriu uma clareira e ficou totalmente destruída. Todos os nove ocupantes morreram no local.
Para Regis, a tragédia expôs gargalos graves na aviação executiva brasileira da época - especialmente a "cultura do tem que dar um jeito", em que pilotos eram pressionados a cumprir voos a qualquer custo. O Táxi Aéreo Madri, operador da aeronave, nem sequer tinha contrato de trabalho com o copiloto - uma ilegalidade. O acidente acabou levando a mudanças no rigor do treinamento de cabine no Brasil. "Física e aviação não perdoam o cansaço, não perdoam a falta de disciplina e não perdoam a quebra de protocolos", concluiu o jornalista.
Confira o vídeo abaixo.
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