Geddy Lee fala sobre importância de ainda cantar as músicas do Rush nos tons originais
Por João Renato Alves
Postado em 14 de agosto de 2026
O baixista e vocalista Geddy Lee fez questão que as músicas do Rush fossem interpretadas nos tons originais durante a "Fifty Something", turnê que marca a retomada do grupo. Em entrevista à Rolling Stone, o frontman revelou como se preparou para a volta aos palcos após onze anos.
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"Para mim, era importante apresentar o maior número possível de músicas nas versões originais para o nosso público; eu não queria ter que ficar mudando o tom de todas as canções nem entrar nessa história toda de 'encheção de linguiça'. Então, como fazer isso? Bem, um amigo nosso me indicou um preparador vocal. O nome dele é Mitch Seekins e ele é um cara fantástico, um ótimo cantor, que mora no interior do país e esse é o trabalho dele. Ele treina todo tipo de gente, pessoal da ópera, muitas bandas de rock, até um cara que faz a narração de corridas de cavalo. Ou seja, pessoas de todos os tipos precisam de treinamento vocal, por vários motivos...
Ele trabalha com gente que, por uma razão ou outra, começou a perder a voz. Por isso, tem muita experiência em analisar a sua condição vocal. Começamos faz um ano e meio. Nas primeiras sessões, ele avaliou minha voz e disse: 'Certo. Você tem uma voz, mas a musculatura está fora de forma. Afinal, ficou 11 anos sem cantar. Isso é normal'. Depois de algumas sessões, ele disse: 'A boa notícia é que a extensão vocal ainda está aí, mas precisamos fortalecer para que consiga acessá-la'. Foi aí que começou toda essa rotina de exercícios. Não é diferente de ir à academia para ficar forte. Eu vou à academia quatro dias por semana para fortalecer o corpo. Com o tempo, ele se mostrou muito bom em me ajudar a ampliar minha extensão vocal e também a ganhar confiança nela."
Geddy revelou que parte do processo envolveu aprender novas técnicas para acessar a extensão necessária sem precisar fazer tanto esforço. "Às vezes, ele vinha aos ensaios e me filmava. Eu pensava: 'Puxa, que vergonha'. Depois me mostrava o vídeo e dizia: 'Olha só como você se esforça para alcançar aquela nota'. Mas, na hora do aquecimento, você a alcança sem esforço algum. Então, é preciso aprender - enquanto você está ali - a respirar no momento certo (isso representa mais da metade do processo), a posicionar a voz e a analisar minuciosamente como ela produz o som, para depois aplicar isso'. Já faz um ano e meio, mas está valendo a pena, e estou bem satisfeito com a minha evolução. Acho que, se continuar trabalhando nisso, vou melhorar cada vez mais. E preciso cuidar da saúde."
Mesmo com todo o preparo, o próprio Lee confessou ter ficado surpreso com o resultado alcançado. "Eu pensava: 'Não tem como cantar essa música novamente. Não consigo alcançar aquelas notas.' E ele as ouvia e dizia: 'Bom, aquilo é um Mi. É uma nota aguda, mas você consegue alcançá-la. Você faz o Mi nos aquecimentos.' E aquilo não era um Mi comum; era uma oitava acima do Mi normal de todo mundo. 'E eu já ampliei sua extensão até o Fá sustenido. Já levei você até o Sol.' Então, eu ficava nervoso para tentar algumas daquelas músicas, mas ele me incentivava e eu as cantava. Tinha dificuldade no começo, mas depois ouvia e ele dizia: 'Você consegue, tente assim. Respire aqui. Lembre-se: ao cantar os refrões de 'A Farewell to Kings', dê um certo balanço à voz.' E isso ajuda. Todos esses pequenos truques - que na verdade não são truques, são exercícios - ajudam você a perceber: 'Olha, eu dou conta disso'."
Ainda assim, algumas canções específicas precisaram ser "rebaixadas", confirmou o frontman. "'Anthem' está um tom abaixo. '2112' também. Todas as outras estão no tom original. Bem, francamente, 'Anthem' soa muito mais pesada um tom abaixo. Às vezes, você baixa o tom para dar mais peso e potência à música. E, embora eu conseguisse cantar '2112' no tom original, acho que ela soa mais pesada assim agora. Isso é, em parte, uma desculpa e, em parte, a verdade. Não acho que nenhuma dessas duas tenha perdido qualidade. A princípio, íamos baixar o tom de 'Kings'. Mas aí pensamos: 'Não, ela soa melhor no tom original, então temos que mantê-la assim'. Fizemos isso com todo o repertório, avaliando se os tons estavam adequados - especialmente no caso de 'Freewill'. Não havia a menor possibilidade de eu cantar essa música se não conseguisse alcançar as notas da terceira estrofe, que é, na verdade, a parte mais aguda que canto durante todo o show."
Além de Lee, a atual formação do Rush conta com o guitarrista e fundador Alex Lifeson, a baterista alemã Anika Nilles e o tecladista Loren Gold. O grupo passa pelo Brasil no início de 2027. Serão seis shows, em Curitiba (22/01, Arena da Baixada), São Paulo (24/01 e 26/01, Allianz Parque), Rio de Janeiro (30/01, Engenhão), Belo Horizonte (01/02, Mineirão) e Brasília (04/02, Mané Garrincha).
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