Geddy Lee revela o motivo pelo qual evitava cantar as músicas do "Hemispheres"
Por André Garcia
Postado em 26 de fevereiro de 2023
"Hemispheres" (1978) é considerado um dos álbuns mais importantes do Rush, e certamente é um dos favoritos dos fãs. O trabalho representa o ápice de sua fase progressiva e marcou um momento de transição para a banda, que em seus álbuns seguintes, "Permanent Waves" (1980) e "Moving Pictures" (1981), experimentou novas direções musicais.
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Em 2018, Geddy Lee concedeu uma entrevista à Rolling Stone em comemoração aos 40 anos do lançamento de "Hemispheres". Entre outras coisas, o baixista revelou que na época evitava cantar as músicas do álbum ao vivo, devido à complexidade vocal.
Rolling Stone: Naquele ponto, suas habilidades técnicas já eram tão avançadas que você poderia fazer qualquer coisa, criativamente. Mesmo assim, li que você não curtia muito tocar coisas do "Hemispheres" ao vivo.
Geddy Lee: Eu não acho que tenha sido a complexidade do material que tenha o tornado difícil de reproduzir — algo do qual jamais fugimos —, mas era difícil para mim cantar. Nós escrevemos aquilo tudo numa casa, e não estávamos tocando nada daquilo ao vivo, com vocal. Acontecia, na correria, de eu pensar: "Tá, tá, vai ter um vocal aqui. Vai dar certo. Essa melodia vai funcionar." Apenas presumimos que, quando gravássemos as faixas e fizéssemos os vocais, aquilo encaixaria. Foi só quando gravei de fato os vocais, semanas e semanas depois em Londres, no Admission Studios, que fui perceber que compusemos o disco todo em um tom desconfortável para mim. Ficou muito difícil de cantar.
Não era nem que fosse difícil de tocar e cantar, o que é apenas questão de treino, o problema era o alcance vocal que, mesmo para minha voz engraçada, foi um desafio. Por isso, não acho que aquele álbum afetou para onde fomos. Não acho que tenha influenciado. O que dificultou tocar aquelas coisas enormes ao vivo foi o tom em que estavam. E eu nem sonharia naquela época em passar para outro tom (teria sido concessão demais para mim).
RS: Era problema para você no passado mudar o tom para acomodar sua voz?
GL: Com certeza. Agora fazemos o tempo todo. Que é como deve ser feito [risos]! Nós que nunca tivemos uma formação musical formal. E nosso produtor, Terry Brown (que Deus o abençoe), jamais nos sugeriu "Talvez tenha um tom melhor para cantar". Talvez ele tenha sido o motivo que nos fez resolver [trabalhar com outros produtores] não muitos anos depois. Aquilo foi uma grande lição, e um erro que cometi umas duas vezes em minha carreira: não dar atenção o bastante ao tom a ser tocado. É claro que foi um grande choque de realidade. Se tivéssemos feito de outro jeito, com mais tempo, aquilo teria ficado mais evidente.
Nós nunca fazíamos demos naquela época, simplesmente escrevíamos e gravávamos. Se você faz uma demo, a coisa se revela para você, que é tal tom que você vai cantar, então dá para mudar. Deixando de fazer uma demo e indo direto, é escrever, gravar e pronto. O tempo está correndo, você está em Londres (e já está lá há semanas), e sente falta da sua vida. É, tipo, "P*ta que pariu, tenho que cantar logo isso!" Era muito complicado. Então, se tinha uma coisa que diminuía a quantidade de vezes que tocamos aquelas músicas depois na turnê, foi minha vontade de não cantar naquele tom [risos]!
"Hemispheres" foi o sexto álbum do Rush, e o quarto (e último) de sua fase progressiva. Apesar de ter sido produzido em meio à decadência do rock progressivo perante o surgimento do punk, é considerado um de seus trabalhos mais ambiciosos e complexos. Comercialmente, o álbum foi bem-sucedido, alcançando a posição #47 na Billboard e recebendo disco de platina nos Estados Unidos e Canadá.
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