Jay Weinberg fala pela primeira vez à imprensa sobre demissão do Slipknot
Por João Renato Alves
Postado em 11 de abril de 2026
O baterista Jay Weinberg concedeu entrevista à Rolling Stone onde falou pela primeira vez sobre sua demissão do Slipknot. O músico foi dispensado pela banda em 2023. A notícia foi transmitida ao público sem maiores explicações, com o brasileiro Eloy Casagrande assumindo a função pouco tempo depois.
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O artista começou falando sobre a entrada no grupo, substituindo Joey Jordison – que faleceria pouco tempo depois. "Eu tinha 23 anos. Ter ficado na banda por uma década representa quase um terço da vida e a maior parte da minha vida criativa. No início, não podia nem contar para amigos próximos da indústria. Para o pessoal que fabrica minhas baterias, eu não conseguia explicar por que precisava de dois kits gigantes com bumbo duplo e tudo mais. Só dizia: 'Confiem em mim. Vou fazer valer a pena.'
Eu entendia essa dinâmica porque me lembro de ser fã lá por 2000, antes dos celulares com câmera, antes da internet em geral. Havia um certo mistério em torno de uma banda como essa, honestamente. Você não conseguia descobrir nenhum detalhe sobre os membros, não sabia a aparência de ninguém. Mal conseguia descobrir os nomes deles. O mistério era certamente atraente e conquistou muita gente, inclusive eu, desde muito jovem. Capturar essa energia do desconhecido, especialmente na era das redes sociais e dos celulares com câmera, foi uma façanha impressionante. Mantivemos o segredo por cerca de um ano."
Quando perguntado se em algum momento se sentiu como um membro efetivo ou um mero contratado, Jay respondeu: "Se você é o novato entrando em uma banda que existe há 15 anos e já desenvolveu sua identidade e dinâmica, você sempre será o novato. Fiz um teste antes de o mundo saber que eles iriam se separar de Joey Jordison. Tocamos juntos por um dia, ensaiamos todas as músicas antigas e foi uma questão de pensar: 'Ok, ele consegue tocar a velharia. Agora, o que pode trazer para a criação de novas?'
Seja você 'da banda' ou um contratado, essas são coisas que colocam alguém em uma caixinha. Senti-me confortável. O que importa é o trabalho, os projetos criativos em que você está envolvido. Reconheço minha responsabilidade em contribuir para a criação de uma música ou álbum. Essas responsabilidades recaem sobre mim da mesma forma, esteja eu na banda ou fora dela. É tudo o mesmo trabalho."
Na hora de mencionar com quem mais colaborou, o instrumentista não titubeou. "Meu parceiro de composição durante o tempo em que estive na banda foi principalmente Jim Root, o guitarrista. Ele criava os riffs e eu contribuía com meu entusiasmo, esforço e energia para moldar a música em qualquer direção. Isso era o que tinha significado para mim. Tudo isso desaparece quando você faz o que realmente importa, que é criar coisas no estúdio e tocá-las no palco. Percebi que, à medida que nosso relacionamento se aprofundava, esses esforços e responsabilidades se tornavam maiores para mim.
Por exemplo, em 'The Grey Chapter', nosso primeiro álbum juntos, Jim tinha umas 14 músicas, ou algo assim. Eram esboços de arranjos. Eu acrescentei algumas coisas, já que me pediram para dar uma ajudinha ao Slipknot. Eu disse: 'Essas são as minhas instruções e é isso que eu trago para o projeto.' Depois, a gente ouvia e pensava: 'Que tipo de álbum temos aqui? Está faltando esse tipo de vibe. Jay e Jim, vão para aquela sala. Vamos ver o que vocês conseguem criar do nada.'
E foi incrível, porque em cerca de duas horas, Jim e eu criamos os esqueletos de 'The Negative One' e 'Custer', ambas indicadas ao Grammy e presença constante nos nossos shows. Para um cara de 23 anos era um sonho realizado estar em um processo de cocriação com outra pessoa e ver o resultado dessas músicas das quais nos orgulhamos."
Foi quando chegou a hora de falar sobre a saída. Neste momento, Jay explicou de forma minuciosa e não fez questão de esconder qualquer mágoa ou impressão negativa sobre como o processo se desencadeou.
"Desde 2018, notei uma dor significativa no meu quadril esquerdo enquanto me exercitava. Avisei a gerência: 'Estou com um problema no quadril. Não sei o que é, mas vou monitorar.' Não me impediu de tocar, mas era algo que me preocupava. Fiz uma ressonância magnética no início de 2020, quando não estávamos em turnê. Todo mundo estava em lockdown por causa da Covid.
Descobri que tenho o que se chama de impacto femoroacetabular, ou IFA, que basicamente significa que rompi o labrum do meu quadril por causa da corrida e do kickboxing. Não conseguia correr por mais de cinco minutos sem ficar impossibilitado de andar por vários dias. Contei à banda o que o médico disse. 'Faça isso enquanto é jovem. Você terá mais chances de se recuperar rapidamente, cinco ou seis meses.'
Questionei: 'Ei, não estamos fazendo nada agora. Levaria seis meses para eu me recuperar. É algo que eu consigo fazer?' Pediram para não realizar a cirurgia corretiva pois tínhamos um disco para gravar. Tínhamos que sair em turnê e tudo mais. Mas não podia adiar a operação."
Weinberg revelou ter sofrido em vários momentos com ameaças de expulsão. "Fui condicionado ao longo dos anos com a ameaça constante de: 'Você sempre pode ser demitido, você sempre é substituível.' Com isso sendo reforçado no ambiente, é difícil tomar decisões baseadas na saúde porque você pensa: 'Não vou ultrapassar os limites porque não quero perturbar a paz e não quero ser substituído.'
Passaram-se alguns anos e, felizmente, a dor não piorou com as turnês e os shows, mas certamente não melhorou. Então, em setembro de 2023, eu vi na agenda que tínhamos shows até novembro, e depois só em abril do ano seguinte. Elaborei um plano para fazer a cirurgia em novembro de 2023 e avisei à banda. 'Temos essa janela de tempo. Conseguirei me recuperar antes do próximo show. Se quisermos ser criativos nesse período, trabalhei com uma empresa chamada MixWave, onde criei um instrumento virtual para ter meus próprios sons de bateria à disposição. Se eu estiver de muletas e não puder andar, não poderei tocar bateria, mas ainda poderei programar e manter meu processo criativo', só para garantir que tudo estivesse em ordem. Eles aprovaram o plano.
E então, acordei na manhã seguinte à nossa última viagem juntos e recebi um telefonema do empresário informando que eles haviam decidido não renovar meu contrato no final do ano. Fiquei chocado e cheio de perguntas. Para ser sincero, aconteceu no final de um ano muito difícil para a banda. Isso pode ter relação com algumas tensões pré-existentes, antes mesmo da minha chegada, e com o meu retorno. Mas não recebi nenhuma explicação, apenas a resposta: 'É uma decisão criativa e você não é mais o baterista do Slipknot'. E o que ele disse em seguida foi: 'Gostaríamos de divulgar um comunicado conjunto com você amanhã. Pense sobre isso hoje. Estarei à sua disposição pelo resto do dia, se quiser conversar'.
Meu mundo desabou. Aquilo a que me dediquei com total foco, empenho, atenção e amor, agarrando-me a um sonho, apesar das dificuldades, apesar de tudo o que acontece ao entrar num ambiente tão volátil e sombrio, e ficar apenas com perguntas. Então, fui dar uma caminhada com minha esposa para clarear a mente e processar o que tinha acabado de acontecer. E 20 minutos depois, eles publicaram o próprio comunicado online."
Em relação a como se sentiu naquele momento, Jay não escondeu: "Como eu disse, aconteceu depois de um ano extraordinariamente tenso para a banda, coisas que só conseguia ver como um observador externo em relacionamentos de 25 anos. Aconteceu sem explicação, sem motivo. Era confuso na época. Para ser sincero, continua confuso.
Como recém-chegado, acho que, estando no meio dessas tensões preexistentes, você se vê tentando navegar da melhor maneira possível. Um cara tem um jeito de fazer as coisas, outro tem outro jeito, e isso se multiplica por outras oito pessoas, tentando satisfazer a todos. Esse foi meu foco principal por 10 anos.
Me dediquei de todas as formas possíveis. Como recém-chegado, e como você mencionou, você fica tipo 'Você está na banda? Você não está na banda?'. Como você define isso depois de 10 anos? Não é pouco tempo. Mas é fácil para um recém-chegado, para mim, ser pego no fogo cruzado. Talvez eu tenha me tornado um bode expiatório para certas coisas."
Recentemente, Jay Weinberg deixou o Suicidal Tendencies após dois anos de parceria. Agora, ele prepara um trabalho solo que deve contar com uma série de convidados e amigos com os quais tocou desde o início da carreira. Por enquanto, não há maiores detalhes revelados.
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