O álbum do Slipknot que influenciou de maneira direta a carreira do Metallica
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de maio de 2026
O Metallica sempre observou os movimentos do metal ao redor. Foi assim nos anos 1980, quando ajudou a definir o thrash, e voltou a ser assim nos anos 2000, antes de gravar Death Magnetic. Segundo texto de Tom Phelan, da Far Out, um dos discos que chamaram a atenção da banda foi Vol. 3: (The Subliminal Verses), do Slipknot.
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Lançado em 2004, o álbum marcou uma virada na carreira do Slipknot. A banda manteve a agressividade que a tornou conhecida, mas abriu espaço para novas texturas e uma produção mais madura. O disco teve Rick Rubin na produção, nome que depois seria chamado pelo Metallica para comandar Death Magnetic, lançado em 2008.
James Hetfield admitiu que o som do Slipknot pesou nessa escolha. Em declaração à Guitar World, recuperada pela Far Out, o vocalista disse que o Metallica prestava atenção quando outras bandas elevavam o padrão sonoro. "Não há dúvida de que prestamos atenção ao mundo exterior quando o nível sonoro é elevado", afirmou Hetfield.
O músico explicou que a produção de Rubin em discos do Slipknot e do System of a Down influenciou a decisão do grupo. "Uma das razões pelas quais queríamos Rick Rubin trabalhando conosco é que gostávamos do som da produção dele nos álbuns do Slipknot e do System of a Down", disse.
Metallica buscava uma saída após "St. Anger"
A declaração ajuda a entender o momento do Metallica. Em 2003, a banda havia lançado St. Anger, disco marcado por afinações mais graves, ausência de solos de Kirk Hammett e uma sonoridade seca. O álbum dividiu fãs e crítica.
De acordo com Tom Phelan, da Far Out, o Metallica passava por um período de dúvida criativa. Nesse contexto, Rick Rubin ajudou a recolocar a banda em uma direção mais pesada e direta.
O resultado foi Death Magnetic, visto por muitos fãs antigos como uma volta ao caminho do thrash. O disco recuperou solos, estruturas longas e riffs mais próximos da fase clássica do grupo.
O texto da Far Out também destaca que o Slipknot nunca se encaixou totalmente no rótulo de nu metal. Embora tenha crescido no mesmo período de bandas como Limp Bizkit e Papa Roach, o grupo de Iowa tinha uma proposta mais extrema.
Phelan descreve o Slipknot como uma banda de ataque mais cru e feroz, marcada por ruídos eletrônicos, peso e a voz agressiva de Corey Taylor. Essa combinação permitiu ao grupo sobreviver à queda do nu metal e seguir relevante quando boa parte da cena perdeu força.
Vol. 3: (The Subliminal Verses) foi decisivo nesse processo. O álbum mostrou que o Slipknot podia ampliar seu som sem abandonar a intensidade.
Metallica não copiou o Slipknot
A influência, porém, não significa cópia. O Metallica não tentou virar Slipknot em Death Magnetic. A banda apenas percebeu que havia um caminho para soar pesada, atual e orgânica ao mesmo tempo.
Segundo a análise da Far Out, o grupo usou suas "antenas" para captar o rumo do rock pesado. Não seguiu uma moda. Buscou uma pista para reencontrar a própria identidade. Nesse sentido, Vol. 3: (The Subliminal Verses) teve um papel indireto, mas importante. O disco mostrou a Hetfield e seus colegas que Rick Rubin podia extrair peso moderno de uma banda grande sem apagar sua personalidade.
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